sexta-feira, 2 de setembro de 2011

FALSA CIDADANIA

Como posso dizer que sou cidadão
se vivo nessas ruas fétidas,
nessa podridão?!
Vivo nesse lugar sujo e doentio,
em busca de vida,
embusca de pão,
nessa pobreza sórdida,
nessa maldição,
jogado no lixo  em vida,
vivendo de migalhas,
dos restos dos outros feito um cão.
Não há vida onde há morte,
onde acabou a fé e a sorte,
onde o abandono é tão forte,
onde só nos resta a cachaça
que é a terapia do pobre.
Você que me olha e sente pena,
desprezo e nojo,
não sabe o que é viver do lixo,
dos restos do seu esgoto.
O lombo nu ao sol escaldante,
sempre sedento, sempre ofegante,
engolindo poeira,
vivendo como retirante.
É duro viver na rua,
é duro não ser estudante,
é duro não ter direito a nada,
é duro ser ignorante.
Do lixo vivo eu,
do luxo vive você
que não sabe o que é fome,
mas sabe da miséria o porquê.


                                                                    Zeno   B.  Baronni.

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