sábado, 15 de outubro de 2011

CUMPLICIDADE

Não quero ser teu dono,
teu patrono ou senhor,
quero contigo viver muitos outonos,
somar contigo todo nosso amor.
É bom estar contigo a cada instante,
ver teu sorriso sempre brilhante,
essa luz em teu semblante
feliz por sermos amantes.
Quero dividir contigo meus altos e baixos,
poder te ouvir em teus sobressaltos.
Quero unir nossas forças, sonhos e desejos,
te ter muito mais
que num simples lampejo.
Deitar contigo na relva do campo,
sem pressa, sem culpa,
sentir teu calor,
tua respiração,
perder a noção do tempo
segurando tua mão.
Quero em tua alma penetrar,
sentir teu corpo no meu vibrar,
te ouvir em teu silêncio,
muito mais que te adorar.
Quero que sejas meu sol,
meu horizonte,
ser tua lua,
teu guia,
tua magia
e te dar todo dia
um gozo esfuziante.


                                                                                         Zeno  Baronni .

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

A ERA DA TECNOLOGIA

     É interessante observar que, mesmo passados dois mil anos da vinda de Jesus Cristo à terra, só agora nos séculos XX/XXI é que o mundo sofreu uma mudança radical, entrando de vez na era do desenvolvimento e da tecnologia. Demorou muito para que essas mudanças acontecessem, mas quando vieram, foi como num passe de mágica e em pouco tempo muita coisa mudou para melhor. Podemos dizer que somos uma geração privilegiada, uma vez que vivemos em uma época bem diferente daquela que viveu a geração do início do século passado. Grandes gênios, em sua época considerados loucos, que entraram para a história, revolucionaram e mudaram para sempre o rumo da humanidade com suas invenções são os reponsáveis por esse desenvolvimento. Na verdade as coisas começaram a acontecer devagar. Na segunda metade do século IXX, mais pecisamente no ano de 1860, se deu o primeiro avanço na área da comunicação: como ficou oficialmente comprovado, o italiano Antonio Macucci inventou o telefone. Anos mais tarde, 1879, foi a vez do americano Thomas Edison criar a lâmpada, o fonógrafo e a máquina de cinema. Mais alguns anos se passaram até que outras invenções surgissem. Veio a criação do automóvel e  Já no século XX, 1906, o brasileiro Alberto Santos Dumont criou o avião.Assim as coisas foram se sucedendo e a vida sendo facilitada e as pessoas aproximadas com essas criações. O surgimento do celular parece ter caído como a salvação da humanidade. Virou mania, accessório de primeira necessidade e ninguém mais consegue sobreviver sem o mesmo. A criança mal aprende a falar já ganha um de presente dos pais. Veio o computador, com ele a internet e hoje o mundo parece estar dentro das nossas casas. Crianças e adultos passam grande parte do seu tempo navegando na mesma e com um simples apertar de botão se pode dar uma volta ao mundo em segundos. Tudo que se quer se encontra na internet. 
É louvável a genialidade do homem moderno e sua preocupação  com o desenvolvimento e com a interação entre os povos através da tecnologia. Vivemos em um mundo melhor, onde tudo acontece mais rapidamente e com praticidade. Onde o acesso a bens e serviços está ao alcance da maioria .Isso é inegável. Mas, aí surge uma questão que precisa ser levada em consideração.Como tudo na vida, o desenvolvimento tem um preço. Vejamos alguns malefícios que essa tecnologia tão avançada nos traz : 
- C rianças e adolescentes , estudantes, perderam o costume ou não aprenderam a raciocinar e tudo que querem buscam na internet. Está tudo pronto lá. Quando se refere a cálculos, tem a calculadora e tudo certo. Resultado : mentes preguiçosas e aprendizado deficiente.
- Celular serve pra tudo, menos pra ensinar alguma coisa. Serve até pra poluir o meio ambiente.
- O vídeo game é a diversão preferida das crianças desde muito cedo, as quais não têm mais uma infância natural, livre, divertida e com brincadeiras de criança como antigamente.
- O computador deu defeito, na serve mais,  vai para o lixo agravando seriamente a contaminação do meio ambiente.
E outros. Seria perfeito se houvesse uma conciliação entre desenvolvimento e preservação do meio ambiente, da v ida. Ao contrário, onde chega o chamado desenvolvimento, geralmente entra a degradação deste. Famílias inteiras são expulsas de belas praias onde nasceram e cresceram, expulsas pela especulação imobiliária. Os milionários tomam suas terras , constroem grandes mansões e destroem belezas naturais.
Da mesma maneira que apertando um simples botão podemos dar uma volta ao mundo, pode-se acabar com ele em segundos. Esse é o preço da tecnologia. Se a humanidade não acordar urgentemente para isso, dentro em pouco não haverá mais lugar para ela na terra. 


                                                                                       Zeno Baronni Bezerra.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

FALSA CIDADANIA

Como posso dizer que sou cidadão
se vivo nessas ruas fétidas,
nessa podridão?!
Vivo nesse lugar sujo e doentio,
em busca de vida,
embusca de pão,
nessa pobreza sórdida,
nessa maldição,
jogado no lixo  em vida,
vivendo de migalhas,
dos restos dos outros feito um cão.
Não há vida onde há morte,
onde acabou a fé e a sorte,
onde o abandono é tão forte,
onde só nos resta a cachaça
que é a terapia do pobre.
Você que me olha e sente pena,
desprezo e nojo,
não sabe o que é viver do lixo,
dos restos do seu esgoto.
O lombo nu ao sol escaldante,
sempre sedento, sempre ofegante,
engolindo poeira,
vivendo como retirante.
É duro viver na rua,
é duro não ser estudante,
é duro não ter direito a nada,
é duro ser ignorante.
Do lixo vivo eu,
do luxo vive você
que não sabe o que é fome,
mas sabe da miséria o porquê.


                                                                    Zeno   B.  Baronni.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

SER NORMAL

Não quero ser o tal,
ser herói ou boçal,
quero o direito de ir e vir
como um simples mortal.
Não quero ser melhor nem pior,
só quero ser igual,
e da vida não me excluir.
Ser uma borboleta
ou um colibri,
ser um rei
ou a estrela de Davi,
ser um louco ou um sábio,
Um bobo ou hilário,
tudo que puder me permitir.
Quero amar e ser amado,
pecar e ser pecado,
não julgar nem ser julgado,
o que não quero é me omitir.
Fazer da vida uma escola,
do dia a dia uma vitória,
poder criar minha história,
do banquete deles me servir.
Quero pedir se precisar,
quero chorar, quero sorrir,
ser fiel a mim mesmo
ensinar o que aprendi.


                                                        Zeno  B.  Baronni.

RESGATE

Quero minha parte na vida,
quero tudo que me foi negado,
não quero o que me foi
impostamente legado.
Quero viver tudo que não vivi,
quero cobrar, quero exigir,
o direito de viver
e de não sucumbir.
Quero esquecer quem me castrou,
quem me pisou e humilhou,
que se danem todos
e que chorem por minhas risadas.
Não quero mais odiar,
quero ser odiado.
Não quero mais invejar,
quero ser invejado.
Não quero mais amar,
quero ser amado.
Quero ser tudo que ainda não fui,
quero entrar nessa festa pobre
com o convite nas mãos,
não mais pelos fundos pra ser expulso pelo anfitrião.
Quero olhar por cima do meu nariz,
encarar essa gente pobre e infeliz,
que pensa ser dona do mundo
e dele o juiz.
Quero ser dono do universo,
ir a Londres e a Paris,
não notar, ser notado
ter a meus pés o que sempre quis.

                                                                                Zeno  B.  Baronni.

sábado, 27 de agosto de 2011

JOSÉ

E agora , José?
a festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou.
E agora, José?
E agora, você ?
Você que é sem nome,
 que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta,
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode ,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia,
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou
e agora, José ?

Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, e agora?

Com a chave na mão,
quer abrir a porta,
não existe porta,
quer morrer no mar,
mas o mar secou,
quer ir para Minas,
Minas não há mais,
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vianense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse ...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro,
qual bicho-do- mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha , José,
José, para onde?


O mais belo poema de CARLOS  DRUMOND  DE  ANDRADE . Eu gostaria de tê-lo criado.








A SERTANEJA

Sou uma sertaneja valente,
não tenho medo de soldado
nem tenente,
muito menos de cabra macho e serpente.
Vivo da minha sorte,
enfrento o que vier pela frente,
não tenho medo de nada,
quem me conhece não me desmente.
Sou filha da roça,
sou do machado,
não corro de leigo nem de letrado
muito menos de cabra ruim e safado.
Quando nasci, minha mãe disse assim:
" Essa aqui traz sina ruim,
há de se criar até com capim,
pode escrever o que digo,
e o pai  me castigue se não for assim" .
Muita estrada corri por esse sertão de Deus,
muita terra lavrei para os filhos meus,
mas cadê comida,
se ficou para os teus?!
Sete vezes casei,
quinze filhos pari,
de todos cinco vivem aqui,
os que não morreram vivem a pedir.
No lombo do burro vivo a caçar,
pois o resto preciso criar,
mas cadê caça,
se nenhuma mais há?!
Só Deus tem pena de nós,
pois do governo só se ouve a voz,
a fazer promessas, a nos enganar,
como se fôssemos bobos
e não pudéssemos pensar.

                                                                                          Zeno  Baronni.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

SUA OPINIÃO É IMPORTANTE

Dê sua opínião a respeito do que você leu. É importante pra minha pessoa saber o que os leitores acham. Aceita-se sugestões e críticas. Fazendo isso você vai estar me ajudando. O leitor é quem faz o escritor. Como diz o dito popular, fale mal mas fale de mim. Nada pior do que ser ignorado. Quando alguém fala mal da gente, é sinal que de alguma forma a gente incomoda essa pessoa.
Grato por lembrar de mim.




                                                                  Zeno  de Castro Costha .

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

RAINHA DO LAR

     Ainda são quatro horas da manhã e Manu, ainda muito sonolenta, precisa levantar. Seu marido sai cedo para trabalhar e ela tem que preparar o café ,  a mochila e a marmita dele. Quando ele levanta quer tudo pronto e é assim que tem que ser, afinal, ele sustenta a casa e ela tem que cuidar para que ele tenha tudo nas mãos a tempo e a hora. É obrigação dela zelar pelo seu conforto e bem estar.  Coisa que nem sempre acontece conforme o desejado, para desespero dela e irritação dele. Claro que ela se desdobra pra que saia tudo a contento, mas nem sempre é possível. São muitas tarefas a cumprir e ele não percebe que além dele, há a casa, os filhos, o trabalho lá fora e tudo isso exige muito dela. Por mais que ela se esforce, nunca consegue satisfazê-lo e há  sempre uma reclamação a ser feita e um defeito a acrescentar.
Sem uma queixa, ela se levanta e vai até a cozinha, aos tombos. Começa assim o seu dia, todo dia. Ainda está no meio do preparo das coisas e já escuta os gritos dele vindos do banheiro pedindo toalha e cueca. Prontamente ela o atende e volta para a cozinha. Saindo do banheiro, a roupa tem que estar pronta, limpa e passada em cima da cama. Já tomado banho e de roupa trocada, apressado ele toma seu café, reclama que o mesmo está ruim , que sua roupa está mal passada e vai embora sem  sequer dar um beijo de despedida na esposa. Não lhe faz um agrado nem lhe deseja bom dia. Para que essas frescuras? Já estão casados ha mais de dez anos e a fase da bajulação já passou.   Resignada, ela dá continuidade às suas tarefas. Já está acostumada. É hora de acordar as crianças e prepará-las para deixá-las na creche e na escola. Antes, porém, precisa dar-lhes o desjejum. São quatro ao todo.  Duas vão para a creche, onde ficam o dia todo e duas  para a escola , de onde saem ao meio dia e voltam para casa onde ficam sozinhas até o retorno dela do trabalho.  Ainda bem que essas entifdades ficam próximas uma da outra. Ela os leva e de lá já vai direto para o serviço de onde sai às treze horas. É zeladora em uma empresa. Precisa trabalhar fora porque seu marido ganha pouco e o salário dela é importante para ajudar nas despesas. Uma vizinha os busca na escola de os deixa em casa.  Quando ela chega, por volta das 14:00 horas, almoçam.  A sorte é que o lanche da escola ajuda a passar a fome precoce.
No trabalho é aquela correria. Não tem tempo para nada e não pode se dar ao luxo de se sentir cansada. Há sempre alguém gritando por ela. Quando acaba o expediente, vai correndo para casa e quando chega na mesma, sempre encontra uma bagunça maior do que  deixou. Os meninos já reclamam da fome, ela corre pra cozinha , termina o almoço que deixou adiantado na noite anterior e almoçam. É hora de dar uma geral na pia. As crianças vão pra a sala ver televisão. Bendita TV e bendito videogame! Mas nem nessa hora ela tem sossego porque eles sempre brigam; um sempre quer exclusividade.  Quando acaba a geral na pia, é hora de passar roupa. Não pode deixar acumular, mas é inevitável porque nunca dá tempo de fazer tudo antes de  buscar os menores na creche. De volta  à casa, é hora de preparar o jantar. O marido chega faminto e quer tudo pronto. O menor chora pedindo colo, mas o tempo é pouco. Ele tem que se conformar com carícias rápidas. Na sala os maiores brigam por motivos fúteis e é preciso acalmá-los. Se um deles adoece, ela que tem que levá-lo a médico. Reunião de pais e mestres, ela aque tem de participar. O marido nunca tem tempo nem boa vontade. Isso são tarefas de mulher. Quando ele  chega  o jantar ainda não está pronto. Ele reclama da demora e diz que não sabe o que ela faz tanto que nunca consegue cumprir um horário.  Vai jogando mochila, sapatos e roupa pelo meio da casa.  Ela apressa-se enquanto ele toma um banho. Por fim, depois do atraso e de pequenas discussões, jantam. Momento esse que é sempre tumultuado e ele acaba pegando seu prato e indo para a frente da televisão.  Diz que ela está sempre atrasada com as coisas e só faz tudo mal feito. Terminado o jantar, ele logo adormece, enquanto ela arruma a cozinha e adianta o almoço do dia seguinte.  Pouco tempo depois ela  já escuta os roncos dele. Quando termina já é quase meia noite. Está morta de cansada. Toma um banho, leva todo mundo pra suas camas e deita. Seu cansaço mental é tanto que ela não consegue dormir direito e há sempre um pequeno chorando por algum motivo. Ela olha para o lado e vê o marido mergulhado no sono dos justos. Levanta aos otombos e vai acudir o pequeno. No dia seguinte, começa tudo de novo. Final de semana é ainda pior porque está todo mundo em casa. Sábado é dia de faxina. Ainda bem que o marido passa a maior parte do dia no bar. Ele não aguenta ficar em casa escutando choro de criança e as reclamações dela. O domingo é dia de lavar roupa. Para ele é dia de jogo e cerveja com os amigos.
Assim é a rotina de Manu, dia após dia. O tempo vai passando , os filhos vão crescendo , ficando cada vez mais exigentes e ela cada vez mais dedicada à família. Nunca tem um minuto para si mesma. O marido ainda reclama que ela está acabada, desleixada. Ela não lembra o ano em que foi a um cinema com ele ou a um passeio qualquer. Os momentos de intimidade entre eles são raros e mais dele do que de ambos. Acabou o encanto. Não gosta nem de se olhar no espelho, pois percebe que o marido está certo, que envelheceu 20 anos em cinco. Pega o álbum de casamento , fica olhando e lembrando. Como era bonita! Estava tão feliz! Tinha tantos planos para uma vida a dois. Achava que ia ser um mar de rosas. Sabia que teriam dificuldades, mas não imaginava que fossem tantas. Amava-o tanto! Ele era tão bonito, tão carinhoso! Todos os dias lhe trazia um presentinho. Como era bom! Agora sua realidade é outra. Os peitos caídos, pernas cheias de varizes, barriga quebrada etc. Sente-se frustrada, cansada, infeliz, desvalorizada, cobrada, criticada e rejeitada. Havia esquecido de si mesma para viver em função daquele que há muito a esquecera. Teria valido a pena? Para ela não havia Natal, Ano Novo, dia da mães, Páscoa, aniversário, nada. Todos os dias eram iguais, de domingo a sábado. Uma lágrima dolorida corre pelo seu rosto cansado e enrugado precocemente.  Pergunta-se por que tinha deixado as coisas chegarem àquele ponto. Agora é tarde para tentar mudar e o jeito é se conformar com a situação. Nesse momento escuta uma voz que grita por ela exigindo alguma coisa. Enxuga a lágrima com as costas da mão e vai  atender. Não tem outra escolha. Os hábitos de anos tornam-se eternos.
Essa é a saga de muitas mulheres brasileiras que se deixam escravizar, muitas vezes sem perceberem, seja por necessidade, medo de enfrentar a vida sozinhas ou pura servidão. Vale lembrar que há quem goste e até se sinta feliz em ser serviçal. Só fico me perguntando até que ponto é válido você desistir de você mesmo, se anular completamente e viver em função dos outros?


                                                                                                    Zeno    Baronni Bezerra.

domingo, 21 de agosto de 2011

SÃO JOÃO

     Que saudade do São João de antigamente! Já não se faz mais festas juninas como há trinta anos atrás. Lembra como era? Todos sabemos que o forró é uma dança típica, popular que faz parte do folclore nordestino . A palavra forró veio do inglês (  for all  ) , que quer dizer :  para todos. Seu rítimo acelerado, alegre e contagiante casou muito bem com a espontaneidade e o espírito festivo dos camponeses daquela região, tornando-se, assim, sua principal festa. Todos os anos , durante o mês de Junho ( daí o nome festas juninas ) ,  o Nordeste entra em clima de festejos e celebra com toda pompa a que tem direito, o mês do seu santo preferido : São João . As cidades do interior e as fazendas viram um só palco de intensa alegria, ornamentado pelas fogueiras que iluminam os terreiros e os balões que enfeitam os céus. Camponeses e camponesas se vestem a caráter, com roupas alegres ( as mulheres geralmente usam trajes coloridos, mas sem exageros ) e durante toda a noite se entregam ao rítimo frenético do forró. Todos têm um só objetivo : se divertir . Aí entram as quadrilhas, muito bem marcadas e dançadas no  capricho. Outros rítimos, igualmente populares, entram em cena como: xote, baião, coco, dança de roda, siriri etc. Embora o forró seja a estrela da festa, todos esses rítimos se misturam, fazendo da noite do sertão um expressivo  cenário de euforia e cultura popular. Nesse dia de confraternização, o sertanejo esquece suas desventuras, a seca que com frequência  assola a região, sua árdua luta pela sobrevivência e se entrega de corpo e alma a esse momento mágico. Esse é, também, um momento de agradecimento e devoção. Mas hoje o forró não é mais uma dança exclusiva do Nordeste. Ele já se difundiu por quase todo o país e tem sido bem aceito nas diversas regiões e grandes centros urbanos. Tivemos nas figuras dos saudosos Luiz Gonzaga, Mrinês e Trio Nordestino, os principais responsáveis por essa difusão. Porém, se por uma lado nos alegramos com a nacionalização do mesmo, por outro nos entristecemos com sua descaracterização gradativa. Vemos não com alegria que estão confundindo São João com carnaval e essa deixou de ser uma festa comemorativa para se tornar uma competição, onde cada cidade quer mostrar que é melhor, que faz mais bonito. As quadrilhas a cada ano estão parecendo mais com escolas de samba, cheias de componentes que mais parecem carros alegóricos. O exagero nas fantasias e maquilagem é evidente. O próprio forró virou uma mistura de balé com não sei o quê. Essa dança nunca teve coreografia. Forró é forró e pronto. Mas agora, se as mulheres não botarem suas bundas pra cima pra mostrar o fundo, não tem graça. As inúmeras bandas nordestinas estão aí , fazendo sucesso e incentivando essa mudança. É triste ver como sertanejo não valoriza e não preserva sua cultura e suas tradições. Só dá importância àquilo que vem de fora e facilmente se deixa influenciar por isso. Os europeus e outros povos que vêm para o Brasil, fazem questão de manter suas tradições e se orgulham disso. Uma prova são as várias colônias que existem por todo o país. No entanto, São Paulo é a maior cidade nordestina que temos e não há uma só colônia que represente nossa gente. O próprio Centro de Tradições Nordestinas é coisa pra turista ver. Tudo lá é tão caro que a maioria de nós não tem condições de frequentá-lo. Pior, muita gente até se envergonha de dizer que é de lá. Nossa maior pobreza é essa, a ignorância. Antes não nos deixavam ver a grandeza que tínhamos. Hoje, não queremos enxergar, pois é mais cômodo imitar os outros.  Por isso somos facilmente manipulados. Se não mudarmos nossa maneira de pensar e agir, vamos continuar assim por muitos anos mais.


                                                                                                       Zeno  B.  Baronni.

sábado, 20 de agosto de 2011

ASTROS DO AMOR

Não sou a lua,
mas posso tornar mais românticas
suas noites solitárias.
Não sou o sol,
mas posso aquecer seu corpo
quando você sentir frio.
Não sou uma estrela,
mas posso brilhar
só para você.
Não sou a chuva,
 mas posso deslizar
pelo seu corpo inteiro.
Não sou a aurora,
mas quero despertar em você
a alegria de viver.
Não sou o crepúsculo,
mas posso tornar mais belas
suas tardes de verão.
Não sou o raio
nem o trovão,
mas posso fazer seu corpo estremecer.
Não sou Deus,
mas posso mudar o mundo
e a mim mesmo só por você.
Eu posso tudo que quiser,
só não posso deixar
de te amar e te querer.

                                                                                 

                                                                                  Zeno  B.  Baronni.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

SE EU PUDESSE

Se  meus lábios pudessem dizer o que sinto
e pudessem tocar os teus,
no calor da minha boca
encontrarias o apogeu.
Tu não serias mais o mesmo,
outras bocas esquecerias
e o teu amor seria só meu.
Tuas mãos em minhas mãos,
teus lábios nos meus,
em meu corpo vibrarias
e o meu amor seria só teu.


                                                              Zeno  Baronni..

domingo, 14 de agosto de 2011

ELE NÃO TINHA TEMPO

     Um comerciante muito rico  tinha dois amores em sua vida. Um era sua única filha de 15 anos. O outro, era seu comércio. Nada mais tinha importância para ele. Vivia em função desses dois amores. À sua filha dava tudo que ela queria. Por mais absurdo que parecesse seu desejo, ele satisfazia. Inconscientemente, ele procurava compensar sua ausência e sua falta de carinho, com dinheiro. Por isso mesmo ela tornara-se uma moça triste, pois sentia muita falta desse carinho de pai, de atenção. Preferia que ele lhe desse menos presentes e mais amor. Às vezes preferia ser pobre, pois de nada adiantava ter tudo em termos materiais e não ter o principal , que era o amor dele. Ele nunca tinha tempo para ela, só pensava nos negócios. Não confiava em ninguém e controlava cada centavo da empresa. Quando ela reclamava, ele dizia que estava cuidando do futuro dela e que o olho do dono é que engorda o gado. Estava sempre correndo, de domingo a domingo. Nem sequer tinha tempo para fazer uma única refeição em família. Todos os dias chegava tarde em casa e saía cedo. Nunca participou de um só momento da vida dela como pai. Por isso ela já começava a odiar o dinheiro e quanto mais ele a cobria de jóias e outras coisas , mais ela se entristecia. Quanto à sua mãe, já havia se acostumado e não reclamava mais. Assim, a jovem ia vivendo dividida entre o amor que sentia pele pai e o ódio que sentia pelo dinheiro. Porém, para não desgostá-lo, fingia ficar contente com os presentes.  Na festa de quinze anos dela, uma festa grandiosa por sinal, ele não pôde chegar a tempo para dançar a valsa com ela, pois tinha uma reunião de negócios , muito importante. Mandou que um primo o representasse. Para ela foi a gota d'agua. Quando soube, ficou desesperada. Nunca o perdoaria por tamanha falta de consideração. Sob os protestos de sua mãe que lhe implorava para que se acalmasse, ela saiu às pressas da festa. Não esperou sequer pelo motorista da família. Ela mesma pegou o carro e saiu em alta velocidade. Sua mãe pediu para que o motorista pegasse outro carro e fosse atrás dela, o que ele obedeceu de imediato. Enquanto isso ela mesma tentava localizar o marido para que ele viesse o mais rápido possível. A resposta dele foi : a reunião está terminando. Já chego aí.
Porém, em sua revolta e sem experiência no volante, a moça acabou sofrendo um grave acidente e foi levada às pressas para o hospital mais próximo. Quando seu pai chegou ela já estava morta. Ele não teve tempo de se despedir da filha. Sua vida também acabou ali, pois a partir daquele dia ele passou a viver de lembranças e do remorso. Seus negócios foram decaindo e ele acabou falindo. Um dia, já com sintomas claro de loucura, acabou se matando. 


                                                                                                     Zeno   Baronni.


sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A SAGA DOS BICHOS

         Em uma fazenda, para a alegria dos bichos e principalmente do proprietário, eis que nasceram dois lindos bezerrinhos , gêmeos. Eles eram idênticos. A bicharada ficou contente e a vaca mãe,  toda vaidosa. Mal sabia ela qual seria o destino dos seus lindos e amados filhinhos. Quanto ao proprietário, assim que os viu, disse satisfeito :  vai ser uma linda junta de bois de carro !
Os bezerrinhos , cercados de todo carinho e atenção, muito bem alimentados pelo farto leite de sua amada mãe, cresciam fortes e saudáveis. Para satisfação do feliz fazendeiro, eles logo atingiram o tamanho ideal para começarem a ser treinados para o trabalho. Foi então que um belo dia, para surpresa e  indignação de todos os animais da fazenda, teve início o treinamento dos bichinhos. Mas essa era a única coisa que  podiam fazer, se revoltar. Eram apenas bichos e tinham que obedecer. Ali na fazenda, cada animal tinha uma missão a cumprir: a vaca tinha que produzir leite, a galinha tinha que botar ovos, a porca tinha que dar leitões etc. Era assim enquanto tivessem vida útil, depois... Aqueles dois adolescentes tinham sido destinados ao pior: trabalhar duro para todos, puxando aquele carro carregado durante o dia todo, todos os dias. A vaca mãe estava de coração partido e não se conformava de ver seus queridos filhos serem escolhidos para tão triste e penosa sina. Porém, a única coisa a fazer era  lamentar. 
Os bezerros em questão sofreram muito até aprender o serviço como deveriam , até porque, no início se revoltaram. Mas a lei do homem é sempre mais forte e prevalece. Depois de apanharem muito, acabaram se curvando. Embora o ser humano perca em força física, tem o privilégio de ter consciência e ser solidário. Quando não consegue sozinho, vários deles se unem e dominam o mais selvagem dos selvagens. Usam da covardia mas no final se vangloriam, pois se acham valentes. Assim, nossos amigos foram vencidos e durante muitos anos trabalharam de sol a sol, sem descanso, muitas vezes passando o dia famintos e qualquer vacilo, a chibata cantava. Aquele cantar saudoso que o carro de bois faz quando está carregado, principalmente quando vem subindo uma ladeira, é o lamento , o choro silencioso de quem não pode expressar seus sentimentos através da fala. De quem não pode expressar sua tristeza e revolta por uma vida de servidão, sofrimento e raiva. Só quem já foi obrigado a engolir um choro, a calar a boca quando queria esbravejar,  sufocar injustiças e seguir caminhos que não queria, tudo isso por imposição paterna, sabe do que estou falando. O que seria que esses pobres animais diriam se pudessem falar e se tivessem consciência de sua condição e força física? Seria que o homem os dominaria tão facilmente? Provavelmente, não . Mas, enfim, não têm nem podem e tudo acontece exatamente como o outro planeja e quer.
Assim, os anos vão passando lentamente sem nenhuma alteração na vida dos nossos amigos. Como tudo na vida tem começo, meio e fim, um belo dia o feliz fazendeiro chega à conclusão que eles estão velhos e não servem mais para o trabalho. Estão velhos, cansados, lentos e sem forças. Agora dão mais trabalho do que trabalham . O que fazer então com animais que não produzem mais? Aposentá-los?! Que nada! Então nossos lindos bezerrinhos, que durante toda a vida contribuíram para o progresso daquela fazenda, ajudaram àquele fazendeiro a criar seus filhos e a alimentar os demais bichos da propriedade, agora seguem lentos , cabisbaixos e sem protesto algum rumo ao matadouro. Esse é o quinhão que lhes cabe depois de anos a fio com um colar de madeira no pescoço. Tudo isso acontece sob os olhares aflitos, as lágrimas sentidas e contidas de todos aqueles que indiretametne foram servidos por eles e que agora, impotentes diante das leis humanas. ainda podem pelo menos chorar.



                                                                                           Zeno    Baronni.  

NOSSOS SANTOS PECADOS DE CADA DIA

          Já acordamos de mau humor. Nem sequer agradecemos a Deus pela boa noite que tivemos e murmuramos, aborrecidos : mais um dia de trabalho! Que saco! Não aguento mais aquele lugar e aquela gente! Não vejo a hora de me aposentar. - Num esforço levantamos e corremos para um banho apressado. Nem desejamos um bom dia para quem acordou primeiro do que nós para preparar nossa marmita e o café. Não há tempo a perder com bobagens. Quanto ao café, nunca está do nosso gosto e, como sempre, reclamamos. Pegamos a mochila, saímos apressados e atrasados. Na rua escura e fria, outras pessoas também apressadas. Não há tempo para um cumprimento ou uma gentileza. Se há alguém em apuros, ignoramos. Acendemos um cigarro e vamos pitando. Quando o mesmo acaba, jogamos a bituca na rua. Que se dane o tal do meio ambiente. E depois, há o gari que é pago para limpar nossa sujeira. Chegamos ao ponto do ônibus e pra variar, a fila está enorme. Damos um jeito de furá-la e se alguém reclama, ignoramos. O mundo é dos mais espertos. Acendemos outro cigarro e vamos jogando fumaça na cara do próximo mais próximo. Há quem não goste, mas os incomodados que se mudem. Por fim, depois de ma longa espera, o ônibus chega. Na pressa de embarcarmos e pegar um lugar, vamos empurrando quem estiver na nossa frente, alheios às reclamações e xingamentos ou respondendo à altura. E vamos que vamos. Se conseguimos sentar, defendemos nosso lugar  com toda garra. Não abrimos mão dele por nada, mesmo que tenha alguém necessitado para sentar. Quem está nos bancos reservados para esse tipo de usuário, finge dormir . Ai de quem reclamar. Há sempre muitas brigas por conta de lugares. O mais forte sempre vence. Durante a viagem, por conta da superlotação, são comuns os empurrões, pisadas, discussões às vezes até propositais.  Tem gente que adora agitar. Há sempre um folgado com o desodorante vencido bem na cara da gente. Faz parte. Os xingamentos ao motorista e à mãe dele são de praxe. Quando comemos algo ou tomamos refrigerante. jogamos o lixo pela janela.
Assim, entre um solavanco e outro, depois de um longo caminho percorrido, chegamos ao nosso destino. É bom lembrar que até agora não desejamos um bom dia pra ninguém. Entramos na empresa, emburrados e começamos nosso dia de trabalho. Já iniciamos pensando na hora de sair. Estamos sempre xingando os colegas e, principalmente, o chefe. Durante todo o dia é aquela correria e não temos um só gesto de delicadeza com quem quer que seja. Nunca pedimos por favor quando precisamos de ajuda e não agradecemos quando somos atendidos. Se terminamos nossas tarefas primeiro, não ajudamos a ninguém. Cada um que cuide do seu. Porém, quando atrasamos, queremos ajuda. Na hora do almoço mais correria. Come-se depressa,  é hora tardia, mas se o chefe não está de olho, ficamos na mordomia. Geralmente derramamos comida no chão e em cima da mesa, mas não damos a menor importância a isso. A copeira limpa. É paga pra isso. De volta ao trabalho, a história se repete até o final do dia. Por fim, chega a tão espera hora de voltar pra casa. A mesma maratona.Quando chegamos, mal cumprimentamos quem passou o dia nos esperando e pensando em nós. Estamos cansados demais para um agrado. Tomamos banho , jantamos e vamos para a frente da televisão. Não demora muito e adormecemos. No dia seguinte começa tudo de novo. E assim a vida vai passando, sem nenhum acontecimento relevante. Nos habituamos a essa rotina e nunca fizemos nada pra que fosse diferente. Um belo dia chega a tão sonhada aposentadoria. Agora , sim, vamos levar a vida que sempre sonhamos. Ledo engano! Depois de alguns meses em casa, descobrimos que não é bem assim. Logo nos cansamos dessa vida chata, sem graça. A rotina em casa, a falta de novidades e assunto, a saudade do trabalho etc. Os filhos casaram e seguiram seus caminhos. Os netos logo crescem e não querem mais saber de nós, nos acham chatos. Os poucos amigos, por um motivo ou outro começam a sumir. Só nos resta a cerveja e o jogo no bar, mas aí a conversa também não se renova e logo cansamos dela. Então descobrimos , tardiamente, que durante toda vida não fizemos nada por ninguém nem por nós mesmos. Não deu tempo. Nervosos e ansiosos descobrimos que tudo que conseguimos foi acumular doenças, rabugice e solidão. Nem nós mesmos nos suportamos mais. A nossa colheita é farta.


                                                                                              Zeno   Baronni.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

TUDO POR UM PÃO

Sou uma mulher de sorte,
tenho peito e tenho porte
pra sair dessa aflição.
Não sei como escapei,
depois de parar na prisão,
mas não foi nada, minha gente,
foi só por roubar um pão .
O que há de se fazer,
nesse país em confusão?
não se tem casa  nem comida,
trabalho nem opção,
muito menos educação.
Onde está nossa riqueza,
todo ouro da nação,
que desde os tempos de D. Pedro,
foi parar na contra mão?
Na cadeia conheci um mero cidadão
que me disse:
"Minha filha, por que roubou só um pão?
Se tivesse roubado como um anão,
hoje estaria podre de rica
e não apanhava de cinturão.
Olhe pra mim e me diga
o que roubei até então,
se é capaz, adivinhe,
juro que não foi nada, não.
Foi um soldado de polícia,
que achou que eu era ladrão . "
A coisa anda feia para o nosso cidadão,
não se pode parar na esquina,
não se pode roubar um pão,
não se pode comprar fiado,
não se pode nada, não .
Mas como em toda regra
sempre há uma exceção,
ele pode algo , sim.
votar na eleição.
Se querem mesmo saber
como escapei da prisão,
 a verdade eu não conto,
não é de ética, não,
mas foi depois de transar
com um soldado e um capitão.
O doutor que me perdoe
a minha aflição,
lá em casa não tem água,
energia nem ladrão,
tem uma mulher de pulso forte
que t em peito e que tem porte
pra lutar até a morte
pelo futuro do patrão .


                                                              Zeno   Baronni..

QUANTO VALE UMA VIDA

          Quanto vale a sua vida? Quanto vale a vida de um ser humano? Você já parou para pensar nisso? Materialmente falando, cada um vale o que tem. Isso é público e notório, mas depois de morto, será que cada cadáver tem um preço? Será que o morto vale o quanto pesa sua conta bancária? Seu valor é calculado de acordo com sua posição social? Será que pelo menos defuntamente falando , não somos todos iguais? Afinal, vamos para o mesmo lugar e viramos o mesmo pó. Que eu saiba não há defunto que vire pó de ouro. Outro dia um sujeito atropelou e matou um mendigo, pagou fiança de R$ 300,00 e está solto. Todos os dias pessoas comuns são mortas no trânsito, são assassinadas e quase ninguém toma conhecimento. Quando muito, sai uma pequena nota no jornal. Elas apenas engrossam a estatística. Porém, quando são ricas a coisa funciona diferente. Há alguns dias um empresário atropelou e matou uma Advogada de classe média alta, pagou fiança de R$  300.000,00 e está solto. Hoje a notícia ainda é manchete . Ambos eram ricos e o assassino também é tratado de acordo com sua posição. É assim que a coisa funciona, desde que o mundo é mundo e vai continuar assim. Para a lei, parece que matar  no trânsito, mesmo o sujeito estando embriagado, não é crime. Se bem que não é o uso dessa ou daquela substância que determina se é crime ou não. A verdade nua e crua é que há vidas e vidas. Será que do outro lado, lá no além existem duas filas, uma para pobre e outra para rico? Pelo amor de Deus! Chega de fila! Bastam as que temos que enfrentar todos os dias aqui na terra. E por falar em fila, de que tamanho será a do inferno se todos os corruptos e criminosos forem para lá? Feliz de quem ficar no rabo da gata!
A vida está cada vez mais vulnerável e nós,  entregues à própria sorte. É cada um por si e Deus por ninguém que ele não é bobo. Já se meteu uma vez com a raça humana e deu no que deu. Agora ele quer mais é curtir seu jardim no éden. Quanto ao valor da vida, quem determina o preço é o bem que o sujeito carrega  e   seus pertences. As necessidades do matador também contam nesse caso. Há gente matando por um par de sapatos usados. O que não faz o medo de andar descalço! Meu vizinho morreu por conta de R$  20,00 .
O indivíduo trabalha a vida inteira, economiza e faz renúncias no intuito de ter uma velhice tranquila e confortável, mas muitas vezes não tem o direito de chegar até ela. A ganância e a irresponsabilidade de alguns o privam desse direito. Quem tem como objetivo apenas construir um império, é bom pensar duas vezes. Quem gosta de ostentar, pense três, pois corre o risco de não ter plateia.



                                                                                  Zeno  B.  Baronni.














O TREM DA ALEGRIA

          O trem da alegria não é outro, senão o transporte público que somos obrigados a pegar todos os dias para ir ao trabalho ou a outro lugar qualquer. Aliás, não entendo porque é denominado público se pagamos caro pelo o seu uso. Infelizmente, ele é indispensável no nosso dia a dia e para  nós, pobres mortais, cidadãos comuns e trabalhadores seria impossível nos locomover  se o mesmo deixasse de prestar seus serviços. Serviços esses, diga-se de passagem, que são de péssima qualidade. Pagamos um preço muito alto por sua utilização. Comecemos pelo próprio preço da passagem, que é absurdo, levando-se em consideração o desconforto, a superlotação e outros. Andamos como sardinhas em latas. Em horário de pico , os ônibus , trens e metrôs mais parecem caminhões carregados de animais para o abate, como se fazia antigamente. Hoje esse tipo de transporte já é proibido até para porcos e outros. Depois, o total desrespeito aos usuários por parte de condutores e cobradores. A falta de educação e despreparo dos mesmos para a função que exercem , é evidente e assustador. Esses tarefeiros têm verdadeira aversão aos passageiros, povo como eles, sofrido e explorado que sustenta a empresa para a qual trabalham e, consequentemente, paga ou contribui para o pagamento de   seus salários. Esquecem que são trabalhadores como nós, que estamos no mesmo barco e com os mesmos problemas em comum. A diferença é que eles nos conduzem.  A impressão que dá  é que eles descarregam em nós toda sua raiva do mundo, como se fossemos culpados dos seus problemas e não tivéssemos os nossos .  Creio que essa seja a única empresa que maltrata seus clientes no país. Em nossa rotina diária, podemos observar os mais variados e absurdos tipos de falta de respeito para com as pessoas, tais como :  passagem direta nas paradas, ignorando quem quer embarcar, principalmente idosos e portadores de necessidades especiais. Quando param , podemos observar a falta de paciência para com os mesmos e partida nos veículos antes que esses usuários se acomodem, colocando em risco sua integridade física. Exigem que estes passem seus bilhetes na catraca, coisa que não é obrigatória e muitos nem podem se locomover. Já vi gente cair. Na hora do desembarque não é diferente, inclusive com os ditos normais. Gente que fica presa nas portas, que é arrastada ( já vi uma senhora ser arrastada por alguns metros )  etc. Motoristas falando ao celular ou batendo papo durante a viagem, principalmente com mulheres. Se alguém reclama, as ofensas são muitas, chegando a ameaça de agressão física. Os cobradores não agem diferente. São meros passadores de bilhete de bordo , grosseiros, sempre falando ao celular e nem sequer olham na cara da gente quando pedimos uma informação. Ainda se sentem incomodados quando são abordados.     Há , também, a questão da falta de segurança, pois quando acontece um acidente, quem está de pé está completamente vulnerável.  Há veículos que não oferecem nada nesse sentido. A própria empresa não se preocupa com esse fator e até contrata motoristas idosos, sem a mínima condição para guiar. Não quero parecer preconceituoso, longe de mim,  mas é sabido que uma pessoa com mais de 65 anos não tem mais reflexo nem força física para sair de uma situação de emergência. Isso sem falar que não têm mais paciência para lidar com um público às vezes chato e exigente. Sabemos que trabalhar com gente não é fácil e há sempre quem tenha mais direito do que dever. Felizmente esse é um público reduzido. A verdade é que o todo não pode pagar pela minoria .
   Até quando vamos suportar tudo isso? Será que não merecemos o mínimo de respeito ? Fico me perguntando até onde vai nossa passividade e conformismo. Entra prefeito, sai prefeito, entra secretário, sai secretário, todos prometem mundos e fundos e ninguém vê nem o mundo nem o fundo. A verdade é que continuamos ao Deus dará. Será que o secretário dos transportes do município já andou de ônibus? Provavelmente, não. A população só vai ser ouvida e levada em conta no dia em que decidir tomar uma medida drástica porque, nesse país muita coisa só se consegue no grito ou quando se mexe no bolso dos poderosos.  Não falo de quebra-quebra e vandalismo, não. Isso não resolve e só denigre nossa imagem que já  não é lá essas coisas. Infelizmente o povo foi obrigado a aprender a fazer manifestações dessa forma. No dia em que a classe operária decidir se unir , fazer uma greve geral e passar uma semana sem ir trabalhar, a coisa muda. Aí eles vão perceber que estamos acordando e ver a força que temos. Uma manifestação grandiosa pelas ruas, sem bagunça.  Nós trabalhadores, responsáveis diretos pela riqueza dessa gigante que é São Paulo, merecemos, no mínimo, ser transportados como seres humanos que somos. Só quem utiliza esse tipo de transporte sabe o que é a maratona que enfrentamos todos os dias. Já chegamos cansados ao trabalho, estressados  e isso se reflete significativamente na nossa produtividade. Mal humorados, contagiamos nossos colegas e deixamos o ambiente pesado. Contribuímos, sem querer , para o desconforto daqueles que nos cercam. Há quem passe mais tempo nos ônibus do que no trabalho. Eu não sou responsável apenas pelo meu bem estar, mas pelo das pessoas com quem convivo.
          Esperamos uma atitude favorável por parte das autoridades competentes, principalmente do Sr. Secretário dos Transportes do Município.  Acorde Secretário. O senhor é capaz.


                                                                                                 Zeno   B. Baronni..

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

SER ESPECIAL

          Há pessoas que são realmente especiais. Elas têm os olhos tão grandes quanto seu cérebro , pois conseguem enxergar longe, além dos seus limites e ver o mundo por entrelinhas.  Só conseguem ver o lado positivo das coisas e dos seus semelhantes, encontrando sempre uma maneira de justificar suas falhas. São compreensivas e acreditam que, embora o homem seja lobo e cordeiro, seu lado bom prevalece. São pessoas que não desistiram de acreditar na raça humana. Pensam muito, agem com cautela , sabedoria e geralmente estão certas em suas afirmações. Têm um poder de discernimento aguçado e um ombro amigo para quem dele precisar. Sua aura  cativante e acolhedora atrai naturalmente quem delas de aproxima. Com seu espírito de liderança , são possuidoras de alto poder de persuasão. Conseguem fazer brilhar ambientes antes ofuscados pelo desânimo. Dão vida ao mundo em que vivem e são verdadeiras mensageiras do bem.


                                                                                                   Zeno   Baronni.

AMANHÃ É OUTRO DIA

     Se todos os dias e todas as pessoas fossem iguais, a vida não teria graça.
O que nos move, nos faz sentir vivos e crescer, são as diferenças e os desafios que temos de enfrentar pela vida a fora. Por isso, procure fazer diferente, de cada dia um novo dia, uma nova aventura e uma nova descoberta. É bom que cada aurora tenha um colorido especial. Curta e explore cada momento, pois ele é único e não se repete. Não se queixe da vida, sorria. Quem perde tempo se queixando, esquece de viver e só enxerga o lado triste  das coisas. Não julgue, não condene e não discrimine, pois quem assim age, se acha perfeito. Não seja intolerante porque, esse é um sinal de ignorância. A humildade,  a compreensão, a presença de espírito  e a verdade  são sinais de sabedoria.



                                                                                                Zeno  Baronni.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

AMOR PLATÕNICO

Amor que se perdeu,
que o vento levou,
que não floresceu.
Amor não progoramado,
simplesmente aconteceu.
Nada pedi,
nada podia cobrar,
amei sozinho,
amei devagar,
do meu idílio não sabias,
ou preferias ignorar.
Amor de um só não é amor,
é agonia,
é amor dolorido,
silencioso e sem magia.
Foste o deus dos meus sonhos eróticos,
dos meus projetos de vida,
dos meus choros secretos,
das minhas fantasias.
Não tiveste culpa,
nem eu tão pouco,
culpa ninguém tem,
o amor é que é louco. 



                                                                          Zeno   B.  Baronni.

sábado, 23 de julho de 2011

O GRILO E A CIGARRA

     O grilo estava tranquilo no tronco de uma árvore, cantando. Seu canto era até meio irritante, mas era seu canto e ele estava em seu habitat, portanto, podia cantar à vontade , se dando ao luxo de não querer ser incomodado. Porém, eis que surge uma cigarra muito dona de si , aproxima-se dele e fala, irritada : sr. grilo, quer fazer o favor de ir cantar em outro lugar? Não percebe que seu canto não interessa a ninguém? Que ele aborrece a todos que o escutam? A bicharada prefere escutar o meu cantar porque, além de agradável, é sonoro, potente e pode ser ouvido a quilômetros de distância. Eu canto tão bem que até o sol brilha mais forte quando me escuta. Recolha-se à sua insignificância, por favor!
Triste, humilhado e sentindo-se diminuído, o grilo calou-se, mas permaneceu onde estava. Afinal, a floresta era para todos. A cigarra, então, começou a canta e ele a escutar. Realmente, ela era dona de uma garganta poderosa. Ela foi se empolgando e aumentando gradativamente seu volume até encher toda a floresta com seu cantar. Claro que isso não agradou a todos e logo começaram as reclamações. Além de estridente, ela adivinhava e chamava o sol. Mas não demorou muito e, para alívio de alguns, principalmente do grilo, ela estourou pelas costas. Chegava, assim, ao fim o curto reinado da cigarra.
Nem sempre a gente é o que diz e pensa ser. O que é bom aparece de forma natural e progressiva. Quem se auto-promove dificilmente aparece e quando aparece, é por pouco tempo. Nossos verdadeiros juízes são as pessoas que nos observam, escutam e avaliam nossas atitudes e nosso trabalho.  A prepotência tira o brilho da jóia falsa.


                                                                                             Zeno  B.  Baronni.

A PROCISSÃO DOS AFLITOS

     Às vezes eu paro e fico observando a movimentação das pessoas nas ruas. È um vai e vem sem fim de pedestres que não andam, correm e se atropelam . Movidos pela pressa, sempre atrasadas por conta do caos no trânsito e pela deficiência do transporte público, eles precisam chegar a algum lugar. Cada minuto é precioso . Cada uma dessas pessoas tem um destino e uma história de vida. Fico me perguntando o que se passa na cabeça  delas. Suas histórias por certo dariam milhões de livros, cada um mais rico que o outro. Quanta alegria, quanta tristeza, quanta esperança e quanta frustração elas carregam conssigo. Quantas vitórias! Quantas derrotas! Mas elas não podem se dar ao luxo de parar pra pensar em suas desventuras, não. Há muito com que se preocupar e sobreviver é preciso, a qualquer custo. Muitas se matam no trabalho para conseguir tal façanha. O que move e mantém essa gente de pé é a fé, a esperança. São Paulo é a cidade da maratona diária, onde se corre contra o tempo e o troféu é se conseguir fechar o dia com a sensação do dever cumprido. A cada dia essas pessoas têm menos tempo pra tudo, principalmente para si mesmas e suas famílias. Saem de casa cada vez mais cedo e chegam cada vez mais tarde. Esperar um gesto de solidariedade nas ruas, é tarefa praticamente impossível. Algumas até tentam ajudar alguém que esteja em apuros, mas não há tempo a perder. Há um trabalho à sua espera, do qual depende seu sustento e um horário a ser cumprido. O chefe não perdoa atrasos.  E depois, às vezes se trata de alguém querendo dar um golpe, o que é muito comum e isso faz com que ninguém confie em ninguém. Quem não está indo para o trabalho tem um outro compromisso importante que não pode ser deixado de lado. Para chegar a seu destino, a maioria pega três ou quatro conduções e para complicar ainda mais, há a grande deficiência do transporte público que presta um serviço da pior qualidade. Chega a ser desumano. De tão apressadas, às vezes elas nem se dão conta do que acontece ao seu redor . Nem sequer percebem quando são assaltadas. É cada um por si e Deus por muito poucos. O estresse é visível em seus rostos e atitudes. A tolerância vai para o espaço em muito pouco tempo e por coisas que poderiam ser relevadas em pessoas normais. As brigas, as agressões físicas e morais são uma constante, principalmente nos horários de pico e nos locais superlotados como, trens, paradas de ônibus e metrô. É a luta por um espaço, como se dois corpos pudessem ocupar o mesmo lugar. É o rítimo da cidade que está cada vez mais acelerado e quem não entra nele, não consegue se sobressair. O pior é que, a coisa se torna tão comum, tão natural que ninguém mais se surpreende. Todos esquecem que têm o mesmo problema em comum e que estão no mesmo barco. Movidas pelo instinto de competitividade, acabam perdendo o respeito umas pelas outras  e até por si mesmas. Mas a culpa não é delas e, sim, do estilo de vida que são obrigadas a levar . Não há indivíduo que não acabe se desestruturando. Aos poucos, sem perceberem, elas estão perdendo a essência do ser humano e se tornando selvagens. O bom senso, o discernimento, a solidariedade e outros sentimentos nobres estão perdendo espaço para o individualismo absoluto. É o salve-se quem puder. O homem totalmente ignorante e egoísta é pior que um bicho. Pelo menos esse age por instinto e o outro, por maldade pura. A coisa chegou a tal ponto que, às vezes uma pessoa tenta ser gentil com outra e leva uma patada de troco. Diante de tudo isso fico me perguntando o que será de nós num futuro próximo, em uma sociedade que cresce a passos largos, cada dia mais competitiva e irracional.  Os valores humanos estão sendo esquecidos rapida e significativamente. Os pais são obrigados, desde muito cedo, a entregarem seus filhos aos cuidados de estranhos, a influências diversas e às vezes maléficas à sua formação. O fato é que a família está esfacelada, desestruturada e o resultado é essa juventude que ora vemos : revoltada, carente e embarcando cedo demais nas drogas e no sexo. Esses jovens são o futuro da nação. Vivemos em uma cidade onde o homem vale muito pouco, apenas o que produz e enquanto produz. A  vida, vale menos ainda. 

                                                                                                                       Zeno  B.  Baronni.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

SEJA CRIANÇA POR UM DIA

     Liberte a criança que existe dentro de você e viva essa experiência por um dia. Desligue-se de todas as obrigações, de todas as preocupações e entregue-se de corpo e alma ao mundo infantil. Nesse dia seja expontnâneo. Faça tudo que uma criança faz e que você às vezes tem vontade de fazer mas tem medo. Seja indiscreto, irresponsável, traquinas, respondão, fale alto e seja curioso. Enfim, sinta-se como se o mundo fosse seu. Brinque na rua, corra, jogue bola, role pelo chão , se suje  e dê grandes gargalhadas. Libere toda tensão e todas as neuras que lhe afligem. Vá a um parque de diversões, corra nos brinquedos, grite, chore, sorria e tome muito sorvete. Fique todo lambuzado e extravase. Você vai ver quanta coisa bonita  existe dentro de você e que está apenas adormecida. Os monstros, os sonhos de criança, as interrogações, a euforia de uma nova descoberta, tudo isso permanece guardado no nosso subconsciente. Ninguém perde totalmente a alma de criança. É  que , quando nos tornamos adultos não admitimos que sentimos saudades dessa fase. Quando estamos nesse estágio da vida , não temos idéia do quanto nosso mundo é maravilhoso. Tão logo começamos a descobrir o mundo, então! Queremos nos tornar adultos o mais rápido possível e esquecemos de viver intensamente nossa infância. Só bem mais na frente é que vamos perceber o quanto fomos bobos. Aliás, o ser humano é assim, nunca vive verdadeiramente o hoje.  Está sempre querendo que chegue o amanhã. Mais tarde vai sentir saudades do ontem. O hoje fica sempre relegado a segundo plano, como se não tivesse importância alguma. Esquecemos que temos que viver o presente, porque é ele que importa. O futuro virá conforme o que fizermos agora. Mas é a eterna busca, a eterna insatisfação do ser humano, sem dar valor àquilo que já foi conquistado. Por isso, viva essa experiência por um dia e aproveite cada segundo do mesmo.  Veja como é gostoso tudo poder, tudo querer e nada temer. Só não vale ficar emburrado, pois criança emburrada é criança chata. Quando a noite cair, você vai estar cansado, mas feliz. Vai dormir como um anjo e no dia seguinte vai acordar leve, de bem com tudo e com todos.  Vai olhar a vida e as pessoas com outros olhos : os olhos do bem . Quem consegue enxergar o mundo com esses olhos, só faz o que é bom.



                                                                                                  Zeno  B.  Baronni.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

   Quantas mentiras ditas em tão poucas palavras! Quantas verdades reveladas no silêncio! Quantas promessas feitas e não cumpridas! Quantas juras de amor eterno quebradas na primeira esquina! Quanto cinismo escondido num olhar penetrante! Melhor seria que aprendêssemos a ler cada semblante. Quantos presentes caros para apagar os deslizes! Quantas surpresas boas em pequenos e sinceros gestos!
Não importa a grandeza de suas atitudes. O que importa é a veracidade que há dentro delas. Não importa quantas palavras você diga. O que importa é quantas delas serão ouvidas e vividas. Não importa o tamanho do seu silêncio. O que importa é o quanto ele fará o outro perceber o tamanho do seu sentimento.



                                                                                                    Zeno  Baronni.

AS CURVAS DA VIDA

   Os  caminhos  da vida nunca são retos. Às vezes são até muito sinuosos e acidentados para colocar à prova a resistência e obstinação de seus peregrinos. Em suas curvas eles sempre revelam segredos e surpresas, às vezes muito agradáveis, outras, nem tanto. Quando essas surpresas são boas, naturalmente nos sentimos estimulados a continuar a caminhada. Porém, se são ruins, a tendência é o desânimo e a vontade de desistirmos. Mas , como vamos saber o que nos espera na próxima curva se pararmos na primeira? É no sobe e desce e nas curvas da vida que acontecem as descobertas e o crescimento pessoal. Quem teme o desconhecido e não se dá o direito de arriscar,  não sai do lugar. Seu mundo vai ser sempre muito limitado e sua vida vai passar sem a menor emoção. Vai ser uma árvore que não dá fruto, sombra nem encosto e não vai contribuir em nada para o complemento do universo nem acrescentar nada à vida de alguém.


                                                                                                              Zeno  B.  Baronni.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

O GATO RICO E O CÃO POBRE

                                             O  GATO  RICO  E  CÃO  POBRE



   O gato rico resolveu dar uma escapadinha da mansão onde morava e dar umas voltas pela cidade. Ele morria de vontade de andar pelas ruas como um gato comum, mas sua dona não deixava. Ele não era um gato qualquer. Um dia, ela se descuidou e ele fugiu. Estava cansado de viver preso. Já na rua, ele viu um cão muito magro, sujo e triste que, admirado, olhava para sua casa. Desconfiado, o gato aproximou-se e perguntou :  
- Sr. cão, o que faz aí, olhando com tanta curiosidade para minha casa?
O cão se voltou para ele e viu como era gordo e tinha o pelo brilhoso. Dava pra ver que era muito bem tratado. Num  tom de inveja, exclamou :
- Ah! Então você mora nessa casa?! Puxa! Que sorte! Pela sua aparência dá pra ver que vive no luxo. Garanto que só come filé e ainda tem direito a sobremesa. - Num tom de reprovação : mas, o que você faz aqui na rua? Um gato da sua estirpe não anda solto por aí! Por acaso está fugindo? Sua dona não vai gostar de saber disso!
O Outro se irritou :
- Até você! Que saco! Já não chega a patroa que vive me vigiando?! Uma escapadinha que dou vem um cão vira lata me censurar!? Essa vida de gato rico é muito chata, isso sim.
- Como, chata? !  Você tem tudo que quer e ainda reclama? E eu que vivo na rua, jogado, o que digo? Você é um mal agradecido, isso sim. Não sabe o que é viver na rua. A gente dorme ao relento, na chuva e quando procura abrigo em uma porta, o dono bota a gente pra  correr a paulada. Na rua, um chuta de lá, outro chuta de cá, uma pedrada aqui outra acolá. Comida, a gente tem que catar no lixo e ainda apanha porque está fuçando o lixo das pessoas. A gente pega rabuje, sarna, pulga e outras coisas mais. É dureza, meu caro.
- Mas, pelo menos você é livre. Faz o que quer e vai aonde quer. Garanto que conhece toda a cidade. Eu, não. Vivo preso dentro dessa casa sem direito a dar uma voltinha sequer. Não conheço ninguém e não tenho um só amigo. Nem namorar eu posso porque sou castrado. Garanto que você tem namorada.
- Bom, nessa parte concordo com você. Mas, pra que se deixou castrar? Se fosse comigo não deixava.
- Queria ver o que você ía fazer depois que lhe amarrassem todo!
O cão pensou, pensou e resolveu propor um negócio:
- É, sr gato, pelo visto nenhum de nós dois está satisfeito com a vida que tem. Vamos fazer um negócio? Vamos trocar de lugar? Eu viro gato de luxo e você, cão de rua. O que acha?
O outro pensou, pensou e chegou à conclusão que poderia ser divertido. Aceitou. E assim fizeram a troca. Nos primeiros dias ambos estavam eufóricos com essa aventura  e queriam explorar ao máximo seu mundo novo. O gato, agora cão, tratou logo de conhecer toda cidade. O cão, agora gato,  queria comer o tempo todo, tudo do bom e do melhor. Como tudo novo é novidade, no início era só alegria.  Porém,não demorou e começaram os problemas. Para o cão o primeiro deles foi ter que tomar banho todos os dias. Depois, tinha que ficar o dia todo deitado no sofá, sem nada pra fazer. Os dias foram passando e o tédio começou a crescer. Saudade dos amigos, das namoradas e da liberdade. A vida começou a ficar chata, sem graça. Um dia, ele descobriu que queriam castrá-lo. Foi a gota d'agua. Saiu desesperado pra rua à procura do amigo. Queria voltar pra seu lugar.
Por seu lado, o gato também não ía nada bem. Não aguentava mais dormir ao relento e enfrentar todos os problemas da rua. O cão tinha razão, não era fácil. Para ele era ainda pior porque não tinha experiência de vida na rua e ficava mercê dos outros. Tinha que se contentar com seus restos. Os chutes e ponta-pés eram constantes. Como sentia saudades de sua vida de antes. A gota d'agua para ele foi num dia em que levou uma bela sova de uma cadelinha muito feia e sarnenta. Era muita humilhação. Desesperado, foi procurar o amigo para desfazer a troca. Quando se encontraram, o cão não conteve a surpresa:
- Nossa! Como você está acabado! Já vi que não se deu bem. Está pior do que eu esperava.
- É. E pelo visto, você se deu muito bem, não foi? Vamos desfazer esse negócio. Quero meu lugar de volta.
Fingindo desinteresse, o outro respondeu:
- Não tenho do que me queixar. Eu posso até desfazer o trato, mas você tem que me prometer que todo dia vai me trazer um pouco da sua comida. Não quero continuar comendo resto de lixo.
- Você é muito abusado! - como tinha pressa de voltar, apressou-se : tá bom, eu prometo. Vamos logo com isso. Minha dona deve estar morrendo de saudades de mim.
Assim, cada um voltou a ser o que era. O cão, com sua malandragem de rua, saiu no lucro.
MORAL DA HISTÓRIA  :  ninguém está satisfeito com o que tem. Fácil é ver, julgar, condenar ou até desejar a vida  do outro. Difícil é se colocar no lugar dele.



                                                                                      Zeno  B.  Baronni.



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domingo, 17 de julho de 2011

MUDANÇA DE HÁBITO

          Faça da sua vida , se não uma eterna festa, pelo menos uma coisa mais leve, mais prazerosa. Encontre uma razão para viver e apegue-se a ela. Faça algo que você gosta, de preferência todos os dias. Dedique ao menos uma hora do seu dia a si mesmo. A vida é curta e se você não se dá tempo, vai descobrir, tardiamente, que não valeu a pena correr tanto. Nosso futuro é o além, portanto, aproveito ao máximo sua breve temporada na terra. Torne seu universo mais caloroso e colorido. Dê sua contribuição para um mundo melhor. Sorria mais para as pessoas, seja mais gentil, solidário e compreensivo. Você vai receber tudo isso de volta. Sim, é a lei do retorno. Nós recebemos aquilo que damos. O outro funciona como um espelho para nós, pois ele reflete em seu semblante aquilo que vê no nosso. Um sorriso é sempre retribuído com outro. Aceite as pessoas como elas são, assim fica mais fácil conviver. Nunca tente moldar o outro, pois cada um é como é. Ninguém muda ninguém, a não ser que o outro queira.Não se irrite com facilidade, com pequenas coisas. Se alguém lhe agredir, desconsidere. É apenas uma pessoa infeliz, cheia de amargura. Não absorva o veneno que lhe é oferecido, pois só você tem a perder. Quem o destila já está perdido. Seja superior e retribua com um gesto cordial pois, ele desarma quem esteja movido pela ira. Quem revida se iguala. Fazer da vida um campo de batalha só piora as coisas. Como posso querer paz para o mundo se vivo em guerra com quem me cerca? Alguém puxou seu tapete? Deixe que voe, um dia ele cai. Seu amor lhe deixou? Dói, mas passa. Quem nunca sofreu mal de amor? Só quem não tem sentimento. Não guarde rancor ou mágoa, pois são sentimentos que corroem a alma e fazem envelhecer. Vingança, nunca! Além de mesquinha, ela esmaga quem a alimenta e enaltece seu alvo. A vingança é uma forma de elogio. Tenha em mente que a melhor resposta é o silêncio e a melhor vingança é ser feliz. Acorde pra vida e se permita viver. Enquanto o outro leva a vida se divertindo e até rindo de sua pessoa, você vai continuar insistindo em ser esse asteróide lacrimejante? Brilhe, meu amor, nem que seja pra você mesmo. Não deixe que ninguém ofusque seu  brilho. Seja mais você sempre ( sem exagero ) É preciso equilibrar a auto-estima para não correr o risco de se tornar egocêntrico. Não viva em função de ninguém. Viva por você e para você. Não falo de egoísmo, não, mas de vida plena. Claro que ninguém vive sozinho e é necessário criar e manter laços. Eles são indispensáveis ao nosso bem estar físico e mental. O lado afetivo não pode nem deve ser esquecido. Mas a vida é sua e só você pode cuidar dela e decidir o rumo da sua história, pois ninguém lhe conhece tão bem quanto você mesmo. Não permita que lhe coloquem limites. É possível ser companheiro, pai ou mãe exemplar, irmão e amigo fiel sem se anular. Dê aquilo que pode e acha que deve dar, não mais que isso. Não espere dos outros  mais do que eles podem lhe oferecer. Seus filhos cresceram? Deixe que sigam seus caminhos e resolvam seus problemas. A vida é deles. Seus netos, ame-os , mas deixe que os pais cuidem deles. Não queira carregar o mundo nas costas nem ser seu salvador. Herói é quem consegue ser e fazer alguém feliz. Liberte-se das correntes que você mesmo se colocou  ou deixou que lhe colocassem. As pessoas só fazem conosco aquilo que permitimos que façam. Transforme as coisas ruis em coisas boas.Nós temos essa capacidade de transformação. Um bolo é feito de ingredientes de sabores nem sempre agradáveis. Por que não transformarmos o que acontece dentro de nós? Comece seu dia com vontade de viver e se diga: hoje vou ser feliz. Vou fazer do meu dia algo diferente, agradável. Vou começar praticando uma boa ação. - Não é bom que todos os dias sejam iguais. Aprenda a enxergar a importância das pequenas coisas. Descubra o mundo à sua volta e não queira se mais um a dizer: eu era feliz e não sabia. - Não existe felicidade plena e nada dura para sempre. Ninguém tem tudo. É procurar ser feliz com o que se tem e correr atrás daquilo que se deseja alcançar. Quem corre chega a algum lugar, ao contrário de quem fica vendo a vida passar,  se lamentando porque não consegue nada. Não desista dos seus sonhos, por mais absurdos que possam ser. São seus sonhos e você tem o direito de lutar por eles e até de quebrar a cara. Repense o que foi sua vida até hoje, mude o que pode e precisa ser mudado. Ainda dá tempo. Recupere o que pode ser recuperado, retome sonhos adormecidos, lembre dos bons momentos vividos e esqueça perdas e derrotas. O que se perdeu não se recupera. Briga-se por novas conquistas.
Claro que ninguém muda do dia para a noite. Esse é um processo longo e doloroso, uma coisa que tem que ser trabalhada todos os dias.  Mas é preciso se dispor a isso. Não basta ter consciência, é preciso agir. É difícil a gente aceitar que tem defeitos que condena nos outros, mas quando se tem humildade fica mais fácil. Agora, sorria e diga: eu sou, eu quero, eu posso. O mundo não seria o mesmo sem mim . Não desista de você, nunca!
          Agora, se você prefere continuar se achando a pessoa mais infeliz do mundo, uma pobre coitada sem sorte e que não acha graça em nada, o problema é seu. Vai ser sempre uma criatura sem graça. Só não se esqueça que o mundo segue seu rumo indiferente às suas neuroses, pois cada um tem as suas. Pense nisso e seja muito, muito feliz.


                                                                                  Zeno  B.  Baronni.


                                                                              

sábado, 16 de julho de 2011

LIÇÃO DE VIDA



‘                                               L I Ç Ã O     D  E     V I D A



      Um dia, enquanto passeava tranqüilamente em um parque de São Paulo, me deparei com uma cena que me chamou por demais a atenção . Sentei-me no chão e fiquei horas ali, parado, observando com atenção . Não era nada mais que algumas formigas trabalhando . Parece uma coisa simples, não é? Você já parou para observar um ser, aparentemente tão insignificante, provendo seu sustento? Provavelmente , não . Sabia que as formigas trabalham e muito? Que elas são uma das maiores e mais perfeitas organizações do universo ? Como a natureza é sábia! Primeiro, dotou-as de uma força física muito além do seu tamanho . Sabia que elas conseguem carregar dez vezes o seu  peso ?  Segundo, de uma sabedoria superior à nossa . Todos os dias, quando há sol, elas se deslocam por grandes distâncias em busca de alimento para suprir suas necessidades e de todo formigueiro . Elas não fazem um trabalho isolado, ao contrário, trabalham em conjunto e visando o coletivo . Lembro que no sertão as pessoas mais antigas diziam que formiga trabalhando é sinal de chuva próxima . E é verdade . Sabe por quê? Quando elas pressentem que vai chover, trabalham dobrado para  armazenar alimento suficiente para os dias de chuva . Nesses dias elas não saem de sua casa .   São as operárias as responsáveis por essa tarefa . Sim, porque em sua organização há hierarquia e funções definidas. Além disso, são solidárias umas com as outras. Às vezes, quando uma está sobrecarregada ou se fere, outras aparecem para ajudá-la . Nunca uma delas é deixada em apuros, sozinha . E lá vão elas, lentas mas obstinadas , com aquela enorme carga na cabeça, cai aqui, cai ali, sobe obstáculos aparentemente instransponíveis para elas e nunca se mostram cansadas nem desmotivadas . Elas insistem, persistem e não desistem . Se a carga cai, elas param e não se dão por vencidas. Com todo esforço a recolocam na cabeça e seguem seu caminho . Elas nunca se perdem. Tão logo chegam a seu destino , colocam a carga no lugar devido e imediatamente estão de volta para uma outra jornada . Só param ao anoitecer. E nós, seres racionais, imponentes e superiores, não chegamos a um décimo do seu nível de perfeição . Pior, não lhes damos o menor valor e ainda as destruímos porque as julgamos nocivas.
      Esse momento de reflexão, de encontro com a sabedoria natural , me fez ver o quanto sou pequeno, egoísta, fraco e individualista . Estou sempre preocupado comigo mesmo, com meu bem estar e com minha sobrevivência . A mim pouco importam os problemas alheios . São alheios e não me afetam em nada . Cada um que cuide de si e lute pelo seu objetivo . Pior, nem me preocupo em preservar aquilo que é de uso comum. Não é meu mesmo . E como desisto fácil das coisas! Qualquer obstáculo já é motivo para desânimo . Se tenho um problema, ele é maior do que o de todo mundo . Resumindo, eu sou o centro do universo . O resto que se dane.
      Por tudo isso, é bom que cada um de nós pare e pense um pouco no nosso modo de ver , sentir e viver. O individualismo e a falta de persistência são armas que apontamos para nossas próprias cabeças. Pense nisso . Ah, um dia pare para observar o trabalho das formigas.



                                                                            São Paulo, 20 de Abril de 2011.
                                                                                 Zeno  de  Castro  Costha.