‘ L I Ç Ã O D E V I D A
Um dia, enquanto passeava tranqüilamente em um parque de São Paulo, me deparei com uma cena que me chamou por demais a atenção . Sentei-me no chão e fiquei horas ali, parado, observando com atenção . Não era nada mais que algumas formigas trabalhando . Parece uma coisa simples, não é? Você já parou para observar um ser, aparentemente tão insignificante, provendo seu sustento? Provavelmente , não . Sabia que as formigas trabalham e muito? Que elas são uma das maiores e mais perfeitas organizações do universo ? Como a natureza é sábia! Primeiro, dotou-as de uma força física muito além do seu tamanho . Sabia que elas conseguem carregar dez vezes o seu peso ? Segundo, de uma sabedoria superior à nossa . Todos os dias, quando há sol, elas se deslocam por grandes distâncias em busca de alimento para suprir suas necessidades e de todo formigueiro . Elas não fazem um trabalho isolado, ao contrário, trabalham em conjunto e visando o coletivo . Lembro que no sertão as pessoas mais antigas diziam que formiga trabalhando é sinal de chuva próxima . E é verdade . Sabe por quê? Quando elas pressentem que vai chover, trabalham dobrado para armazenar alimento suficiente para os dias de chuva . Nesses dias elas não saem de sua casa . São as operárias as responsáveis por essa tarefa . Sim, porque em sua organização há hierarquia e funções definidas. Além disso, são solidárias umas com as outras. Às vezes, quando uma está sobrecarregada ou se fere, outras aparecem para ajudá-la . Nunca uma delas é deixada em apuros, sozinha . E lá vão elas, lentas mas obstinadas , com aquela enorme carga na cabeça, cai aqui, cai ali, sobe obstáculos aparentemente instransponíveis para elas e nunca se mostram cansadas nem desmotivadas . Elas insistem, persistem e não desistem . Se a carga cai, elas param e não se dão por vencidas. Com todo esforço a recolocam na cabeça e seguem seu caminho . Elas nunca se perdem. Tão logo chegam a seu destino , colocam a carga no lugar devido e imediatamente estão de volta para uma outra jornada . Só param ao anoitecer. E nós, seres racionais, imponentes e superiores, não chegamos a um décimo do seu nível de perfeição . Pior, não lhes damos o menor valor e ainda as destruímos porque as julgamos nocivas.
Esse momento de reflexão, de encontro com a sabedoria natural , me fez ver o quanto sou pequeno, egoísta, fraco e individualista . Estou sempre preocupado comigo mesmo, com meu bem estar e com minha sobrevivência . A mim pouco importam os problemas alheios . São alheios e não me afetam em nada . Cada um que cuide de si e lute pelo seu objetivo . Pior, nem me preocupo em preservar aquilo que é de uso comum. Não é meu mesmo . E como desisto fácil das coisas! Qualquer obstáculo já é motivo para desânimo . Se tenho um problema, ele é maior do que o de todo mundo . Resumindo, eu sou o centro do universo . O resto que se dane.
Por tudo isso, é bom que cada um de nós pare e pense um pouco no nosso modo de ver , sentir e viver. O individualismo e a falta de persistência são armas que apontamos para nossas próprias cabeças. Pense nisso . Ah, um dia pare para observar o trabalho das formigas.
São Paulo, 20 de Abril de 2011.
Zeno de Castro Costha.
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