segunda-feira, 29 de agosto de 2011

SER NORMAL

Não quero ser o tal,
ser herói ou boçal,
quero o direito de ir e vir
como um simples mortal.
Não quero ser melhor nem pior,
só quero ser igual,
e da vida não me excluir.
Ser uma borboleta
ou um colibri,
ser um rei
ou a estrela de Davi,
ser um louco ou um sábio,
Um bobo ou hilário,
tudo que puder me permitir.
Quero amar e ser amado,
pecar e ser pecado,
não julgar nem ser julgado,
o que não quero é me omitir.
Fazer da vida uma escola,
do dia a dia uma vitória,
poder criar minha história,
do banquete deles me servir.
Quero pedir se precisar,
quero chorar, quero sorrir,
ser fiel a mim mesmo
ensinar o que aprendi.


                                                        Zeno  B.  Baronni.

RESGATE

Quero minha parte na vida,
quero tudo que me foi negado,
não quero o que me foi
impostamente legado.
Quero viver tudo que não vivi,
quero cobrar, quero exigir,
o direito de viver
e de não sucumbir.
Quero esquecer quem me castrou,
quem me pisou e humilhou,
que se danem todos
e que chorem por minhas risadas.
Não quero mais odiar,
quero ser odiado.
Não quero mais invejar,
quero ser invejado.
Não quero mais amar,
quero ser amado.
Quero ser tudo que ainda não fui,
quero entrar nessa festa pobre
com o convite nas mãos,
não mais pelos fundos pra ser expulso pelo anfitrião.
Quero olhar por cima do meu nariz,
encarar essa gente pobre e infeliz,
que pensa ser dona do mundo
e dele o juiz.
Quero ser dono do universo,
ir a Londres e a Paris,
não notar, ser notado
ter a meus pés o que sempre quis.

                                                                                Zeno  B.  Baronni.

sábado, 27 de agosto de 2011

JOSÉ

E agora , José?
a festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou.
E agora, José?
E agora, você ?
Você que é sem nome,
 que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta,
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode ,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia,
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou
e agora, José ?

Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, e agora?

Com a chave na mão,
quer abrir a porta,
não existe porta,
quer morrer no mar,
mas o mar secou,
quer ir para Minas,
Minas não há mais,
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vianense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse ...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro,
qual bicho-do- mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha , José,
José, para onde?


O mais belo poema de CARLOS  DRUMOND  DE  ANDRADE . Eu gostaria de tê-lo criado.








A SERTANEJA

Sou uma sertaneja valente,
não tenho medo de soldado
nem tenente,
muito menos de cabra macho e serpente.
Vivo da minha sorte,
enfrento o que vier pela frente,
não tenho medo de nada,
quem me conhece não me desmente.
Sou filha da roça,
sou do machado,
não corro de leigo nem de letrado
muito menos de cabra ruim e safado.
Quando nasci, minha mãe disse assim:
" Essa aqui traz sina ruim,
há de se criar até com capim,
pode escrever o que digo,
e o pai  me castigue se não for assim" .
Muita estrada corri por esse sertão de Deus,
muita terra lavrei para os filhos meus,
mas cadê comida,
se ficou para os teus?!
Sete vezes casei,
quinze filhos pari,
de todos cinco vivem aqui,
os que não morreram vivem a pedir.
No lombo do burro vivo a caçar,
pois o resto preciso criar,
mas cadê caça,
se nenhuma mais há?!
Só Deus tem pena de nós,
pois do governo só se ouve a voz,
a fazer promessas, a nos enganar,
como se fôssemos bobos
e não pudéssemos pensar.

                                                                                          Zeno  Baronni.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

SUA OPINIÃO É IMPORTANTE

Dê sua opínião a respeito do que você leu. É importante pra minha pessoa saber o que os leitores acham. Aceita-se sugestões e críticas. Fazendo isso você vai estar me ajudando. O leitor é quem faz o escritor. Como diz o dito popular, fale mal mas fale de mim. Nada pior do que ser ignorado. Quando alguém fala mal da gente, é sinal que de alguma forma a gente incomoda essa pessoa.
Grato por lembrar de mim.




                                                                  Zeno  de Castro Costha .

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

RAINHA DO LAR

     Ainda são quatro horas da manhã e Manu, ainda muito sonolenta, precisa levantar. Seu marido sai cedo para trabalhar e ela tem que preparar o café ,  a mochila e a marmita dele. Quando ele levanta quer tudo pronto e é assim que tem que ser, afinal, ele sustenta a casa e ela tem que cuidar para que ele tenha tudo nas mãos a tempo e a hora. É obrigação dela zelar pelo seu conforto e bem estar.  Coisa que nem sempre acontece conforme o desejado, para desespero dela e irritação dele. Claro que ela se desdobra pra que saia tudo a contento, mas nem sempre é possível. São muitas tarefas a cumprir e ele não percebe que além dele, há a casa, os filhos, o trabalho lá fora e tudo isso exige muito dela. Por mais que ela se esforce, nunca consegue satisfazê-lo e há  sempre uma reclamação a ser feita e um defeito a acrescentar.
Sem uma queixa, ela se levanta e vai até a cozinha, aos tombos. Começa assim o seu dia, todo dia. Ainda está no meio do preparo das coisas e já escuta os gritos dele vindos do banheiro pedindo toalha e cueca. Prontamente ela o atende e volta para a cozinha. Saindo do banheiro, a roupa tem que estar pronta, limpa e passada em cima da cama. Já tomado banho e de roupa trocada, apressado ele toma seu café, reclama que o mesmo está ruim , que sua roupa está mal passada e vai embora sem  sequer dar um beijo de despedida na esposa. Não lhe faz um agrado nem lhe deseja bom dia. Para que essas frescuras? Já estão casados ha mais de dez anos e a fase da bajulação já passou.   Resignada, ela dá continuidade às suas tarefas. Já está acostumada. É hora de acordar as crianças e prepará-las para deixá-las na creche e na escola. Antes, porém, precisa dar-lhes o desjejum. São quatro ao todo.  Duas vão para a creche, onde ficam o dia todo e duas  para a escola , de onde saem ao meio dia e voltam para casa onde ficam sozinhas até o retorno dela do trabalho.  Ainda bem que essas entifdades ficam próximas uma da outra. Ela os leva e de lá já vai direto para o serviço de onde sai às treze horas. É zeladora em uma empresa. Precisa trabalhar fora porque seu marido ganha pouco e o salário dela é importante para ajudar nas despesas. Uma vizinha os busca na escola de os deixa em casa.  Quando ela chega, por volta das 14:00 horas, almoçam.  A sorte é que o lanche da escola ajuda a passar a fome precoce.
No trabalho é aquela correria. Não tem tempo para nada e não pode se dar ao luxo de se sentir cansada. Há sempre alguém gritando por ela. Quando acaba o expediente, vai correndo para casa e quando chega na mesma, sempre encontra uma bagunça maior do que  deixou. Os meninos já reclamam da fome, ela corre pra cozinha , termina o almoço que deixou adiantado na noite anterior e almoçam. É hora de dar uma geral na pia. As crianças vão pra a sala ver televisão. Bendita TV e bendito videogame! Mas nem nessa hora ela tem sossego porque eles sempre brigam; um sempre quer exclusividade.  Quando acaba a geral na pia, é hora de passar roupa. Não pode deixar acumular, mas é inevitável porque nunca dá tempo de fazer tudo antes de  buscar os menores na creche. De volta  à casa, é hora de preparar o jantar. O marido chega faminto e quer tudo pronto. O menor chora pedindo colo, mas o tempo é pouco. Ele tem que se conformar com carícias rápidas. Na sala os maiores brigam por motivos fúteis e é preciso acalmá-los. Se um deles adoece, ela que tem que levá-lo a médico. Reunião de pais e mestres, ela aque tem de participar. O marido nunca tem tempo nem boa vontade. Isso são tarefas de mulher. Quando ele  chega  o jantar ainda não está pronto. Ele reclama da demora e diz que não sabe o que ela faz tanto que nunca consegue cumprir um horário.  Vai jogando mochila, sapatos e roupa pelo meio da casa.  Ela apressa-se enquanto ele toma um banho. Por fim, depois do atraso e de pequenas discussões, jantam. Momento esse que é sempre tumultuado e ele acaba pegando seu prato e indo para a frente da televisão.  Diz que ela está sempre atrasada com as coisas e só faz tudo mal feito. Terminado o jantar, ele logo adormece, enquanto ela arruma a cozinha e adianta o almoço do dia seguinte.  Pouco tempo depois ela  já escuta os roncos dele. Quando termina já é quase meia noite. Está morta de cansada. Toma um banho, leva todo mundo pra suas camas e deita. Seu cansaço mental é tanto que ela não consegue dormir direito e há sempre um pequeno chorando por algum motivo. Ela olha para o lado e vê o marido mergulhado no sono dos justos. Levanta aos otombos e vai acudir o pequeno. No dia seguinte, começa tudo de novo. Final de semana é ainda pior porque está todo mundo em casa. Sábado é dia de faxina. Ainda bem que o marido passa a maior parte do dia no bar. Ele não aguenta ficar em casa escutando choro de criança e as reclamações dela. O domingo é dia de lavar roupa. Para ele é dia de jogo e cerveja com os amigos.
Assim é a rotina de Manu, dia após dia. O tempo vai passando , os filhos vão crescendo , ficando cada vez mais exigentes e ela cada vez mais dedicada à família. Nunca tem um minuto para si mesma. O marido ainda reclama que ela está acabada, desleixada. Ela não lembra o ano em que foi a um cinema com ele ou a um passeio qualquer. Os momentos de intimidade entre eles são raros e mais dele do que de ambos. Acabou o encanto. Não gosta nem de se olhar no espelho, pois percebe que o marido está certo, que envelheceu 20 anos em cinco. Pega o álbum de casamento , fica olhando e lembrando. Como era bonita! Estava tão feliz! Tinha tantos planos para uma vida a dois. Achava que ia ser um mar de rosas. Sabia que teriam dificuldades, mas não imaginava que fossem tantas. Amava-o tanto! Ele era tão bonito, tão carinhoso! Todos os dias lhe trazia um presentinho. Como era bom! Agora sua realidade é outra. Os peitos caídos, pernas cheias de varizes, barriga quebrada etc. Sente-se frustrada, cansada, infeliz, desvalorizada, cobrada, criticada e rejeitada. Havia esquecido de si mesma para viver em função daquele que há muito a esquecera. Teria valido a pena? Para ela não havia Natal, Ano Novo, dia da mães, Páscoa, aniversário, nada. Todos os dias eram iguais, de domingo a sábado. Uma lágrima dolorida corre pelo seu rosto cansado e enrugado precocemente.  Pergunta-se por que tinha deixado as coisas chegarem àquele ponto. Agora é tarde para tentar mudar e o jeito é se conformar com a situação. Nesse momento escuta uma voz que grita por ela exigindo alguma coisa. Enxuga a lágrima com as costas da mão e vai  atender. Não tem outra escolha. Os hábitos de anos tornam-se eternos.
Essa é a saga de muitas mulheres brasileiras que se deixam escravizar, muitas vezes sem perceberem, seja por necessidade, medo de enfrentar a vida sozinhas ou pura servidão. Vale lembrar que há quem goste e até se sinta feliz em ser serviçal. Só fico me perguntando até que ponto é válido você desistir de você mesmo, se anular completamente e viver em função dos outros?


                                                                                                    Zeno    Baronni Bezerra.

domingo, 21 de agosto de 2011

SÃO JOÃO

     Que saudade do São João de antigamente! Já não se faz mais festas juninas como há trinta anos atrás. Lembra como era? Todos sabemos que o forró é uma dança típica, popular que faz parte do folclore nordestino . A palavra forró veio do inglês (  for all  ) , que quer dizer :  para todos. Seu rítimo acelerado, alegre e contagiante casou muito bem com a espontaneidade e o espírito festivo dos camponeses daquela região, tornando-se, assim, sua principal festa. Todos os anos , durante o mês de Junho ( daí o nome festas juninas ) ,  o Nordeste entra em clima de festejos e celebra com toda pompa a que tem direito, o mês do seu santo preferido : São João . As cidades do interior e as fazendas viram um só palco de intensa alegria, ornamentado pelas fogueiras que iluminam os terreiros e os balões que enfeitam os céus. Camponeses e camponesas se vestem a caráter, com roupas alegres ( as mulheres geralmente usam trajes coloridos, mas sem exageros ) e durante toda a noite se entregam ao rítimo frenético do forró. Todos têm um só objetivo : se divertir . Aí entram as quadrilhas, muito bem marcadas e dançadas no  capricho. Outros rítimos, igualmente populares, entram em cena como: xote, baião, coco, dança de roda, siriri etc. Embora o forró seja a estrela da festa, todos esses rítimos se misturam, fazendo da noite do sertão um expressivo  cenário de euforia e cultura popular. Nesse dia de confraternização, o sertanejo esquece suas desventuras, a seca que com frequência  assola a região, sua árdua luta pela sobrevivência e se entrega de corpo e alma a esse momento mágico. Esse é, também, um momento de agradecimento e devoção. Mas hoje o forró não é mais uma dança exclusiva do Nordeste. Ele já se difundiu por quase todo o país e tem sido bem aceito nas diversas regiões e grandes centros urbanos. Tivemos nas figuras dos saudosos Luiz Gonzaga, Mrinês e Trio Nordestino, os principais responsáveis por essa difusão. Porém, se por uma lado nos alegramos com a nacionalização do mesmo, por outro nos entristecemos com sua descaracterização gradativa. Vemos não com alegria que estão confundindo São João com carnaval e essa deixou de ser uma festa comemorativa para se tornar uma competição, onde cada cidade quer mostrar que é melhor, que faz mais bonito. As quadrilhas a cada ano estão parecendo mais com escolas de samba, cheias de componentes que mais parecem carros alegóricos. O exagero nas fantasias e maquilagem é evidente. O próprio forró virou uma mistura de balé com não sei o quê. Essa dança nunca teve coreografia. Forró é forró e pronto. Mas agora, se as mulheres não botarem suas bundas pra cima pra mostrar o fundo, não tem graça. As inúmeras bandas nordestinas estão aí , fazendo sucesso e incentivando essa mudança. É triste ver como sertanejo não valoriza e não preserva sua cultura e suas tradições. Só dá importância àquilo que vem de fora e facilmente se deixa influenciar por isso. Os europeus e outros povos que vêm para o Brasil, fazem questão de manter suas tradições e se orgulham disso. Uma prova são as várias colônias que existem por todo o país. No entanto, São Paulo é a maior cidade nordestina que temos e não há uma só colônia que represente nossa gente. O próprio Centro de Tradições Nordestinas é coisa pra turista ver. Tudo lá é tão caro que a maioria de nós não tem condições de frequentá-lo. Pior, muita gente até se envergonha de dizer que é de lá. Nossa maior pobreza é essa, a ignorância. Antes não nos deixavam ver a grandeza que tínhamos. Hoje, não queremos enxergar, pois é mais cômodo imitar os outros.  Por isso somos facilmente manipulados. Se não mudarmos nossa maneira de pensar e agir, vamos continuar assim por muitos anos mais.


                                                                                                       Zeno  B.  Baronni.

sábado, 20 de agosto de 2011

ASTROS DO AMOR

Não sou a lua,
mas posso tornar mais românticas
suas noites solitárias.
Não sou o sol,
mas posso aquecer seu corpo
quando você sentir frio.
Não sou uma estrela,
mas posso brilhar
só para você.
Não sou a chuva,
 mas posso deslizar
pelo seu corpo inteiro.
Não sou a aurora,
mas quero despertar em você
a alegria de viver.
Não sou o crepúsculo,
mas posso tornar mais belas
suas tardes de verão.
Não sou o raio
nem o trovão,
mas posso fazer seu corpo estremecer.
Não sou Deus,
mas posso mudar o mundo
e a mim mesmo só por você.
Eu posso tudo que quiser,
só não posso deixar
de te amar e te querer.

                                                                                 

                                                                                  Zeno  B.  Baronni.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

SE EU PUDESSE

Se  meus lábios pudessem dizer o que sinto
e pudessem tocar os teus,
no calor da minha boca
encontrarias o apogeu.
Tu não serias mais o mesmo,
outras bocas esquecerias
e o teu amor seria só meu.
Tuas mãos em minhas mãos,
teus lábios nos meus,
em meu corpo vibrarias
e o meu amor seria só teu.


                                                              Zeno  Baronni..

domingo, 14 de agosto de 2011

ELE NÃO TINHA TEMPO

     Um comerciante muito rico  tinha dois amores em sua vida. Um era sua única filha de 15 anos. O outro, era seu comércio. Nada mais tinha importância para ele. Vivia em função desses dois amores. À sua filha dava tudo que ela queria. Por mais absurdo que parecesse seu desejo, ele satisfazia. Inconscientemente, ele procurava compensar sua ausência e sua falta de carinho, com dinheiro. Por isso mesmo ela tornara-se uma moça triste, pois sentia muita falta desse carinho de pai, de atenção. Preferia que ele lhe desse menos presentes e mais amor. Às vezes preferia ser pobre, pois de nada adiantava ter tudo em termos materiais e não ter o principal , que era o amor dele. Ele nunca tinha tempo para ela, só pensava nos negócios. Não confiava em ninguém e controlava cada centavo da empresa. Quando ela reclamava, ele dizia que estava cuidando do futuro dela e que o olho do dono é que engorda o gado. Estava sempre correndo, de domingo a domingo. Nem sequer tinha tempo para fazer uma única refeição em família. Todos os dias chegava tarde em casa e saía cedo. Nunca participou de um só momento da vida dela como pai. Por isso ela já começava a odiar o dinheiro e quanto mais ele a cobria de jóias e outras coisas , mais ela se entristecia. Quanto à sua mãe, já havia se acostumado e não reclamava mais. Assim, a jovem ia vivendo dividida entre o amor que sentia pele pai e o ódio que sentia pelo dinheiro. Porém, para não desgostá-lo, fingia ficar contente com os presentes.  Na festa de quinze anos dela, uma festa grandiosa por sinal, ele não pôde chegar a tempo para dançar a valsa com ela, pois tinha uma reunião de negócios , muito importante. Mandou que um primo o representasse. Para ela foi a gota d'agua. Quando soube, ficou desesperada. Nunca o perdoaria por tamanha falta de consideração. Sob os protestos de sua mãe que lhe implorava para que se acalmasse, ela saiu às pressas da festa. Não esperou sequer pelo motorista da família. Ela mesma pegou o carro e saiu em alta velocidade. Sua mãe pediu para que o motorista pegasse outro carro e fosse atrás dela, o que ele obedeceu de imediato. Enquanto isso ela mesma tentava localizar o marido para que ele viesse o mais rápido possível. A resposta dele foi : a reunião está terminando. Já chego aí.
Porém, em sua revolta e sem experiência no volante, a moça acabou sofrendo um grave acidente e foi levada às pressas para o hospital mais próximo. Quando seu pai chegou ela já estava morta. Ele não teve tempo de se despedir da filha. Sua vida também acabou ali, pois a partir daquele dia ele passou a viver de lembranças e do remorso. Seus negócios foram decaindo e ele acabou falindo. Um dia, já com sintomas claro de loucura, acabou se matando. 


                                                                                                     Zeno   Baronni.


sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A SAGA DOS BICHOS

         Em uma fazenda, para a alegria dos bichos e principalmente do proprietário, eis que nasceram dois lindos bezerrinhos , gêmeos. Eles eram idênticos. A bicharada ficou contente e a vaca mãe,  toda vaidosa. Mal sabia ela qual seria o destino dos seus lindos e amados filhinhos. Quanto ao proprietário, assim que os viu, disse satisfeito :  vai ser uma linda junta de bois de carro !
Os bezerrinhos , cercados de todo carinho e atenção, muito bem alimentados pelo farto leite de sua amada mãe, cresciam fortes e saudáveis. Para satisfação do feliz fazendeiro, eles logo atingiram o tamanho ideal para começarem a ser treinados para o trabalho. Foi então que um belo dia, para surpresa e  indignação de todos os animais da fazenda, teve início o treinamento dos bichinhos. Mas essa era a única coisa que  podiam fazer, se revoltar. Eram apenas bichos e tinham que obedecer. Ali na fazenda, cada animal tinha uma missão a cumprir: a vaca tinha que produzir leite, a galinha tinha que botar ovos, a porca tinha que dar leitões etc. Era assim enquanto tivessem vida útil, depois... Aqueles dois adolescentes tinham sido destinados ao pior: trabalhar duro para todos, puxando aquele carro carregado durante o dia todo, todos os dias. A vaca mãe estava de coração partido e não se conformava de ver seus queridos filhos serem escolhidos para tão triste e penosa sina. Porém, a única coisa a fazer era  lamentar. 
Os bezerros em questão sofreram muito até aprender o serviço como deveriam , até porque, no início se revoltaram. Mas a lei do homem é sempre mais forte e prevalece. Depois de apanharem muito, acabaram se curvando. Embora o ser humano perca em força física, tem o privilégio de ter consciência e ser solidário. Quando não consegue sozinho, vários deles se unem e dominam o mais selvagem dos selvagens. Usam da covardia mas no final se vangloriam, pois se acham valentes. Assim, nossos amigos foram vencidos e durante muitos anos trabalharam de sol a sol, sem descanso, muitas vezes passando o dia famintos e qualquer vacilo, a chibata cantava. Aquele cantar saudoso que o carro de bois faz quando está carregado, principalmente quando vem subindo uma ladeira, é o lamento , o choro silencioso de quem não pode expressar seus sentimentos através da fala. De quem não pode expressar sua tristeza e revolta por uma vida de servidão, sofrimento e raiva. Só quem já foi obrigado a engolir um choro, a calar a boca quando queria esbravejar,  sufocar injustiças e seguir caminhos que não queria, tudo isso por imposição paterna, sabe do que estou falando. O que seria que esses pobres animais diriam se pudessem falar e se tivessem consciência de sua condição e força física? Seria que o homem os dominaria tão facilmente? Provavelmente, não . Mas, enfim, não têm nem podem e tudo acontece exatamente como o outro planeja e quer.
Assim, os anos vão passando lentamente sem nenhuma alteração na vida dos nossos amigos. Como tudo na vida tem começo, meio e fim, um belo dia o feliz fazendeiro chega à conclusão que eles estão velhos e não servem mais para o trabalho. Estão velhos, cansados, lentos e sem forças. Agora dão mais trabalho do que trabalham . O que fazer então com animais que não produzem mais? Aposentá-los?! Que nada! Então nossos lindos bezerrinhos, que durante toda a vida contribuíram para o progresso daquela fazenda, ajudaram àquele fazendeiro a criar seus filhos e a alimentar os demais bichos da propriedade, agora seguem lentos , cabisbaixos e sem protesto algum rumo ao matadouro. Esse é o quinhão que lhes cabe depois de anos a fio com um colar de madeira no pescoço. Tudo isso acontece sob os olhares aflitos, as lágrimas sentidas e contidas de todos aqueles que indiretametne foram servidos por eles e que agora, impotentes diante das leis humanas. ainda podem pelo menos chorar.



                                                                                           Zeno    Baronni.  

NOSSOS SANTOS PECADOS DE CADA DIA

          Já acordamos de mau humor. Nem sequer agradecemos a Deus pela boa noite que tivemos e murmuramos, aborrecidos : mais um dia de trabalho! Que saco! Não aguento mais aquele lugar e aquela gente! Não vejo a hora de me aposentar. - Num esforço levantamos e corremos para um banho apressado. Nem desejamos um bom dia para quem acordou primeiro do que nós para preparar nossa marmita e o café. Não há tempo a perder com bobagens. Quanto ao café, nunca está do nosso gosto e, como sempre, reclamamos. Pegamos a mochila, saímos apressados e atrasados. Na rua escura e fria, outras pessoas também apressadas. Não há tempo para um cumprimento ou uma gentileza. Se há alguém em apuros, ignoramos. Acendemos um cigarro e vamos pitando. Quando o mesmo acaba, jogamos a bituca na rua. Que se dane o tal do meio ambiente. E depois, há o gari que é pago para limpar nossa sujeira. Chegamos ao ponto do ônibus e pra variar, a fila está enorme. Damos um jeito de furá-la e se alguém reclama, ignoramos. O mundo é dos mais espertos. Acendemos outro cigarro e vamos jogando fumaça na cara do próximo mais próximo. Há quem não goste, mas os incomodados que se mudem. Por fim, depois de ma longa espera, o ônibus chega. Na pressa de embarcarmos e pegar um lugar, vamos empurrando quem estiver na nossa frente, alheios às reclamações e xingamentos ou respondendo à altura. E vamos que vamos. Se conseguimos sentar, defendemos nosso lugar  com toda garra. Não abrimos mão dele por nada, mesmo que tenha alguém necessitado para sentar. Quem está nos bancos reservados para esse tipo de usuário, finge dormir . Ai de quem reclamar. Há sempre muitas brigas por conta de lugares. O mais forte sempre vence. Durante a viagem, por conta da superlotação, são comuns os empurrões, pisadas, discussões às vezes até propositais.  Tem gente que adora agitar. Há sempre um folgado com o desodorante vencido bem na cara da gente. Faz parte. Os xingamentos ao motorista e à mãe dele são de praxe. Quando comemos algo ou tomamos refrigerante. jogamos o lixo pela janela.
Assim, entre um solavanco e outro, depois de um longo caminho percorrido, chegamos ao nosso destino. É bom lembrar que até agora não desejamos um bom dia pra ninguém. Entramos na empresa, emburrados e começamos nosso dia de trabalho. Já iniciamos pensando na hora de sair. Estamos sempre xingando os colegas e, principalmente, o chefe. Durante todo o dia é aquela correria e não temos um só gesto de delicadeza com quem quer que seja. Nunca pedimos por favor quando precisamos de ajuda e não agradecemos quando somos atendidos. Se terminamos nossas tarefas primeiro, não ajudamos a ninguém. Cada um que cuide do seu. Porém, quando atrasamos, queremos ajuda. Na hora do almoço mais correria. Come-se depressa,  é hora tardia, mas se o chefe não está de olho, ficamos na mordomia. Geralmente derramamos comida no chão e em cima da mesa, mas não damos a menor importância a isso. A copeira limpa. É paga pra isso. De volta ao trabalho, a história se repete até o final do dia. Por fim, chega a tão espera hora de voltar pra casa. A mesma maratona.Quando chegamos, mal cumprimentamos quem passou o dia nos esperando e pensando em nós. Estamos cansados demais para um agrado. Tomamos banho , jantamos e vamos para a frente da televisão. Não demora muito e adormecemos. No dia seguinte começa tudo de novo. E assim a vida vai passando, sem nenhum acontecimento relevante. Nos habituamos a essa rotina e nunca fizemos nada pra que fosse diferente. Um belo dia chega a tão sonhada aposentadoria. Agora , sim, vamos levar a vida que sempre sonhamos. Ledo engano! Depois de alguns meses em casa, descobrimos que não é bem assim. Logo nos cansamos dessa vida chata, sem graça. A rotina em casa, a falta de novidades e assunto, a saudade do trabalho etc. Os filhos casaram e seguiram seus caminhos. Os netos logo crescem e não querem mais saber de nós, nos acham chatos. Os poucos amigos, por um motivo ou outro começam a sumir. Só nos resta a cerveja e o jogo no bar, mas aí a conversa também não se renova e logo cansamos dela. Então descobrimos , tardiamente, que durante toda vida não fizemos nada por ninguém nem por nós mesmos. Não deu tempo. Nervosos e ansiosos descobrimos que tudo que conseguimos foi acumular doenças, rabugice e solidão. Nem nós mesmos nos suportamos mais. A nossa colheita é farta.


                                                                                              Zeno   Baronni.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

TUDO POR UM PÃO

Sou uma mulher de sorte,
tenho peito e tenho porte
pra sair dessa aflição.
Não sei como escapei,
depois de parar na prisão,
mas não foi nada, minha gente,
foi só por roubar um pão .
O que há de se fazer,
nesse país em confusão?
não se tem casa  nem comida,
trabalho nem opção,
muito menos educação.
Onde está nossa riqueza,
todo ouro da nação,
que desde os tempos de D. Pedro,
foi parar na contra mão?
Na cadeia conheci um mero cidadão
que me disse:
"Minha filha, por que roubou só um pão?
Se tivesse roubado como um anão,
hoje estaria podre de rica
e não apanhava de cinturão.
Olhe pra mim e me diga
o que roubei até então,
se é capaz, adivinhe,
juro que não foi nada, não.
Foi um soldado de polícia,
que achou que eu era ladrão . "
A coisa anda feia para o nosso cidadão,
não se pode parar na esquina,
não se pode roubar um pão,
não se pode comprar fiado,
não se pode nada, não .
Mas como em toda regra
sempre há uma exceção,
ele pode algo , sim.
votar na eleição.
Se querem mesmo saber
como escapei da prisão,
 a verdade eu não conto,
não é de ética, não,
mas foi depois de transar
com um soldado e um capitão.
O doutor que me perdoe
a minha aflição,
lá em casa não tem água,
energia nem ladrão,
tem uma mulher de pulso forte
que t em peito e que tem porte
pra lutar até a morte
pelo futuro do patrão .


                                                              Zeno   Baronni..

QUANTO VALE UMA VIDA

          Quanto vale a sua vida? Quanto vale a vida de um ser humano? Você já parou para pensar nisso? Materialmente falando, cada um vale o que tem. Isso é público e notório, mas depois de morto, será que cada cadáver tem um preço? Será que o morto vale o quanto pesa sua conta bancária? Seu valor é calculado de acordo com sua posição social? Será que pelo menos defuntamente falando , não somos todos iguais? Afinal, vamos para o mesmo lugar e viramos o mesmo pó. Que eu saiba não há defunto que vire pó de ouro. Outro dia um sujeito atropelou e matou um mendigo, pagou fiança de R$ 300,00 e está solto. Todos os dias pessoas comuns são mortas no trânsito, são assassinadas e quase ninguém toma conhecimento. Quando muito, sai uma pequena nota no jornal. Elas apenas engrossam a estatística. Porém, quando são ricas a coisa funciona diferente. Há alguns dias um empresário atropelou e matou uma Advogada de classe média alta, pagou fiança de R$  300.000,00 e está solto. Hoje a notícia ainda é manchete . Ambos eram ricos e o assassino também é tratado de acordo com sua posição. É assim que a coisa funciona, desde que o mundo é mundo e vai continuar assim. Para a lei, parece que matar  no trânsito, mesmo o sujeito estando embriagado, não é crime. Se bem que não é o uso dessa ou daquela substância que determina se é crime ou não. A verdade nua e crua é que há vidas e vidas. Será que do outro lado, lá no além existem duas filas, uma para pobre e outra para rico? Pelo amor de Deus! Chega de fila! Bastam as que temos que enfrentar todos os dias aqui na terra. E por falar em fila, de que tamanho será a do inferno se todos os corruptos e criminosos forem para lá? Feliz de quem ficar no rabo da gata!
A vida está cada vez mais vulnerável e nós,  entregues à própria sorte. É cada um por si e Deus por ninguém que ele não é bobo. Já se meteu uma vez com a raça humana e deu no que deu. Agora ele quer mais é curtir seu jardim no éden. Quanto ao valor da vida, quem determina o preço é o bem que o sujeito carrega  e   seus pertences. As necessidades do matador também contam nesse caso. Há gente matando por um par de sapatos usados. O que não faz o medo de andar descalço! Meu vizinho morreu por conta de R$  20,00 .
O indivíduo trabalha a vida inteira, economiza e faz renúncias no intuito de ter uma velhice tranquila e confortável, mas muitas vezes não tem o direito de chegar até ela. A ganância e a irresponsabilidade de alguns o privam desse direito. Quem tem como objetivo apenas construir um império, é bom pensar duas vezes. Quem gosta de ostentar, pense três, pois corre o risco de não ter plateia.



                                                                                  Zeno  B.  Baronni.














O TREM DA ALEGRIA

          O trem da alegria não é outro, senão o transporte público que somos obrigados a pegar todos os dias para ir ao trabalho ou a outro lugar qualquer. Aliás, não entendo porque é denominado público se pagamos caro pelo o seu uso. Infelizmente, ele é indispensável no nosso dia a dia e para  nós, pobres mortais, cidadãos comuns e trabalhadores seria impossível nos locomover  se o mesmo deixasse de prestar seus serviços. Serviços esses, diga-se de passagem, que são de péssima qualidade. Pagamos um preço muito alto por sua utilização. Comecemos pelo próprio preço da passagem, que é absurdo, levando-se em consideração o desconforto, a superlotação e outros. Andamos como sardinhas em latas. Em horário de pico , os ônibus , trens e metrôs mais parecem caminhões carregados de animais para o abate, como se fazia antigamente. Hoje esse tipo de transporte já é proibido até para porcos e outros. Depois, o total desrespeito aos usuários por parte de condutores e cobradores. A falta de educação e despreparo dos mesmos para a função que exercem , é evidente e assustador. Esses tarefeiros têm verdadeira aversão aos passageiros, povo como eles, sofrido e explorado que sustenta a empresa para a qual trabalham e, consequentemente, paga ou contribui para o pagamento de   seus salários. Esquecem que são trabalhadores como nós, que estamos no mesmo barco e com os mesmos problemas em comum. A diferença é que eles nos conduzem.  A impressão que dá  é que eles descarregam em nós toda sua raiva do mundo, como se fossemos culpados dos seus problemas e não tivéssemos os nossos .  Creio que essa seja a única empresa que maltrata seus clientes no país. Em nossa rotina diária, podemos observar os mais variados e absurdos tipos de falta de respeito para com as pessoas, tais como :  passagem direta nas paradas, ignorando quem quer embarcar, principalmente idosos e portadores de necessidades especiais. Quando param , podemos observar a falta de paciência para com os mesmos e partida nos veículos antes que esses usuários se acomodem, colocando em risco sua integridade física. Exigem que estes passem seus bilhetes na catraca, coisa que não é obrigatória e muitos nem podem se locomover. Já vi gente cair. Na hora do desembarque não é diferente, inclusive com os ditos normais. Gente que fica presa nas portas, que é arrastada ( já vi uma senhora ser arrastada por alguns metros )  etc. Motoristas falando ao celular ou batendo papo durante a viagem, principalmente com mulheres. Se alguém reclama, as ofensas são muitas, chegando a ameaça de agressão física. Os cobradores não agem diferente. São meros passadores de bilhete de bordo , grosseiros, sempre falando ao celular e nem sequer olham na cara da gente quando pedimos uma informação. Ainda se sentem incomodados quando são abordados.     Há , também, a questão da falta de segurança, pois quando acontece um acidente, quem está de pé está completamente vulnerável.  Há veículos que não oferecem nada nesse sentido. A própria empresa não se preocupa com esse fator e até contrata motoristas idosos, sem a mínima condição para guiar. Não quero parecer preconceituoso, longe de mim,  mas é sabido que uma pessoa com mais de 65 anos não tem mais reflexo nem força física para sair de uma situação de emergência. Isso sem falar que não têm mais paciência para lidar com um público às vezes chato e exigente. Sabemos que trabalhar com gente não é fácil e há sempre quem tenha mais direito do que dever. Felizmente esse é um público reduzido. A verdade é que o todo não pode pagar pela minoria .
   Até quando vamos suportar tudo isso? Será que não merecemos o mínimo de respeito ? Fico me perguntando até onde vai nossa passividade e conformismo. Entra prefeito, sai prefeito, entra secretário, sai secretário, todos prometem mundos e fundos e ninguém vê nem o mundo nem o fundo. A verdade é que continuamos ao Deus dará. Será que o secretário dos transportes do município já andou de ônibus? Provavelmente, não. A população só vai ser ouvida e levada em conta no dia em que decidir tomar uma medida drástica porque, nesse país muita coisa só se consegue no grito ou quando se mexe no bolso dos poderosos.  Não falo de quebra-quebra e vandalismo, não. Isso não resolve e só denigre nossa imagem que já  não é lá essas coisas. Infelizmente o povo foi obrigado a aprender a fazer manifestações dessa forma. No dia em que a classe operária decidir se unir , fazer uma greve geral e passar uma semana sem ir trabalhar, a coisa muda. Aí eles vão perceber que estamos acordando e ver a força que temos. Uma manifestação grandiosa pelas ruas, sem bagunça.  Nós trabalhadores, responsáveis diretos pela riqueza dessa gigante que é São Paulo, merecemos, no mínimo, ser transportados como seres humanos que somos. Só quem utiliza esse tipo de transporte sabe o que é a maratona que enfrentamos todos os dias. Já chegamos cansados ao trabalho, estressados  e isso se reflete significativamente na nossa produtividade. Mal humorados, contagiamos nossos colegas e deixamos o ambiente pesado. Contribuímos, sem querer , para o desconforto daqueles que nos cercam. Há quem passe mais tempo nos ônibus do que no trabalho. Eu não sou responsável apenas pelo meu bem estar, mas pelo das pessoas com quem convivo.
          Esperamos uma atitude favorável por parte das autoridades competentes, principalmente do Sr. Secretário dos Transportes do Município.  Acorde Secretário. O senhor é capaz.


                                                                                                 Zeno   B. Baronni..

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

SER ESPECIAL

          Há pessoas que são realmente especiais. Elas têm os olhos tão grandes quanto seu cérebro , pois conseguem enxergar longe, além dos seus limites e ver o mundo por entrelinhas.  Só conseguem ver o lado positivo das coisas e dos seus semelhantes, encontrando sempre uma maneira de justificar suas falhas. São compreensivas e acreditam que, embora o homem seja lobo e cordeiro, seu lado bom prevalece. São pessoas que não desistiram de acreditar na raça humana. Pensam muito, agem com cautela , sabedoria e geralmente estão certas em suas afirmações. Têm um poder de discernimento aguçado e um ombro amigo para quem dele precisar. Sua aura  cativante e acolhedora atrai naturalmente quem delas de aproxima. Com seu espírito de liderança , são possuidoras de alto poder de persuasão. Conseguem fazer brilhar ambientes antes ofuscados pelo desânimo. Dão vida ao mundo em que vivem e são verdadeiras mensageiras do bem.


                                                                                                   Zeno   Baronni.

AMANHÃ É OUTRO DIA

     Se todos os dias e todas as pessoas fossem iguais, a vida não teria graça.
O que nos move, nos faz sentir vivos e crescer, são as diferenças e os desafios que temos de enfrentar pela vida a fora. Por isso, procure fazer diferente, de cada dia um novo dia, uma nova aventura e uma nova descoberta. É bom que cada aurora tenha um colorido especial. Curta e explore cada momento, pois ele é único e não se repete. Não se queixe da vida, sorria. Quem perde tempo se queixando, esquece de viver e só enxerga o lado triste  das coisas. Não julgue, não condene e não discrimine, pois quem assim age, se acha perfeito. Não seja intolerante porque, esse é um sinal de ignorância. A humildade,  a compreensão, a presença de espírito  e a verdade  são sinais de sabedoria.



                                                                                                Zeno  Baronni.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

AMOR PLATÕNICO

Amor que se perdeu,
que o vento levou,
que não floresceu.
Amor não progoramado,
simplesmente aconteceu.
Nada pedi,
nada podia cobrar,
amei sozinho,
amei devagar,
do meu idílio não sabias,
ou preferias ignorar.
Amor de um só não é amor,
é agonia,
é amor dolorido,
silencioso e sem magia.
Foste o deus dos meus sonhos eróticos,
dos meus projetos de vida,
dos meus choros secretos,
das minhas fantasias.
Não tiveste culpa,
nem eu tão pouco,
culpa ninguém tem,
o amor é que é louco. 



                                                                          Zeno   B.  Baronni.