quinta-feira, 4 de agosto de 2011

O TREM DA ALEGRIA

          O trem da alegria não é outro, senão o transporte público que somos obrigados a pegar todos os dias para ir ao trabalho ou a outro lugar qualquer. Aliás, não entendo porque é denominado público se pagamos caro pelo o seu uso. Infelizmente, ele é indispensável no nosso dia a dia e para  nós, pobres mortais, cidadãos comuns e trabalhadores seria impossível nos locomover  se o mesmo deixasse de prestar seus serviços. Serviços esses, diga-se de passagem, que são de péssima qualidade. Pagamos um preço muito alto por sua utilização. Comecemos pelo próprio preço da passagem, que é absurdo, levando-se em consideração o desconforto, a superlotação e outros. Andamos como sardinhas em latas. Em horário de pico , os ônibus , trens e metrôs mais parecem caminhões carregados de animais para o abate, como se fazia antigamente. Hoje esse tipo de transporte já é proibido até para porcos e outros. Depois, o total desrespeito aos usuários por parte de condutores e cobradores. A falta de educação e despreparo dos mesmos para a função que exercem , é evidente e assustador. Esses tarefeiros têm verdadeira aversão aos passageiros, povo como eles, sofrido e explorado que sustenta a empresa para a qual trabalham e, consequentemente, paga ou contribui para o pagamento de   seus salários. Esquecem que são trabalhadores como nós, que estamos no mesmo barco e com os mesmos problemas em comum. A diferença é que eles nos conduzem.  A impressão que dá  é que eles descarregam em nós toda sua raiva do mundo, como se fossemos culpados dos seus problemas e não tivéssemos os nossos .  Creio que essa seja a única empresa que maltrata seus clientes no país. Em nossa rotina diária, podemos observar os mais variados e absurdos tipos de falta de respeito para com as pessoas, tais como :  passagem direta nas paradas, ignorando quem quer embarcar, principalmente idosos e portadores de necessidades especiais. Quando param , podemos observar a falta de paciência para com os mesmos e partida nos veículos antes que esses usuários se acomodem, colocando em risco sua integridade física. Exigem que estes passem seus bilhetes na catraca, coisa que não é obrigatória e muitos nem podem se locomover. Já vi gente cair. Na hora do desembarque não é diferente, inclusive com os ditos normais. Gente que fica presa nas portas, que é arrastada ( já vi uma senhora ser arrastada por alguns metros )  etc. Motoristas falando ao celular ou batendo papo durante a viagem, principalmente com mulheres. Se alguém reclama, as ofensas são muitas, chegando a ameaça de agressão física. Os cobradores não agem diferente. São meros passadores de bilhete de bordo , grosseiros, sempre falando ao celular e nem sequer olham na cara da gente quando pedimos uma informação. Ainda se sentem incomodados quando são abordados.     Há , também, a questão da falta de segurança, pois quando acontece um acidente, quem está de pé está completamente vulnerável.  Há veículos que não oferecem nada nesse sentido. A própria empresa não se preocupa com esse fator e até contrata motoristas idosos, sem a mínima condição para guiar. Não quero parecer preconceituoso, longe de mim,  mas é sabido que uma pessoa com mais de 65 anos não tem mais reflexo nem força física para sair de uma situação de emergência. Isso sem falar que não têm mais paciência para lidar com um público às vezes chato e exigente. Sabemos que trabalhar com gente não é fácil e há sempre quem tenha mais direito do que dever. Felizmente esse é um público reduzido. A verdade é que o todo não pode pagar pela minoria .
   Até quando vamos suportar tudo isso? Será que não merecemos o mínimo de respeito ? Fico me perguntando até onde vai nossa passividade e conformismo. Entra prefeito, sai prefeito, entra secretário, sai secretário, todos prometem mundos e fundos e ninguém vê nem o mundo nem o fundo. A verdade é que continuamos ao Deus dará. Será que o secretário dos transportes do município já andou de ônibus? Provavelmente, não. A população só vai ser ouvida e levada em conta no dia em que decidir tomar uma medida drástica porque, nesse país muita coisa só se consegue no grito ou quando se mexe no bolso dos poderosos.  Não falo de quebra-quebra e vandalismo, não. Isso não resolve e só denigre nossa imagem que já  não é lá essas coisas. Infelizmente o povo foi obrigado a aprender a fazer manifestações dessa forma. No dia em que a classe operária decidir se unir , fazer uma greve geral e passar uma semana sem ir trabalhar, a coisa muda. Aí eles vão perceber que estamos acordando e ver a força que temos. Uma manifestação grandiosa pelas ruas, sem bagunça.  Nós trabalhadores, responsáveis diretos pela riqueza dessa gigante que é São Paulo, merecemos, no mínimo, ser transportados como seres humanos que somos. Só quem utiliza esse tipo de transporte sabe o que é a maratona que enfrentamos todos os dias. Já chegamos cansados ao trabalho, estressados  e isso se reflete significativamente na nossa produtividade. Mal humorados, contagiamos nossos colegas e deixamos o ambiente pesado. Contribuímos, sem querer , para o desconforto daqueles que nos cercam. Há quem passe mais tempo nos ônibus do que no trabalho. Eu não sou responsável apenas pelo meu bem estar, mas pelo das pessoas com quem convivo.
          Esperamos uma atitude favorável por parte das autoridades competentes, principalmente do Sr. Secretário dos Transportes do Município.  Acorde Secretário. O senhor é capaz.


                                                                                                 Zeno   B. Baronni..

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