quinta-feira, 4 de agosto de 2011

TUDO POR UM PÃO

Sou uma mulher de sorte,
tenho peito e tenho porte
pra sair dessa aflição.
Não sei como escapei,
depois de parar na prisão,
mas não foi nada, minha gente,
foi só por roubar um pão .
O que há de se fazer,
nesse país em confusão?
não se tem casa  nem comida,
trabalho nem opção,
muito menos educação.
Onde está nossa riqueza,
todo ouro da nação,
que desde os tempos de D. Pedro,
foi parar na contra mão?
Na cadeia conheci um mero cidadão
que me disse:
"Minha filha, por que roubou só um pão?
Se tivesse roubado como um anão,
hoje estaria podre de rica
e não apanhava de cinturão.
Olhe pra mim e me diga
o que roubei até então,
se é capaz, adivinhe,
juro que não foi nada, não.
Foi um soldado de polícia,
que achou que eu era ladrão . "
A coisa anda feia para o nosso cidadão,
não se pode parar na esquina,
não se pode roubar um pão,
não se pode comprar fiado,
não se pode nada, não .
Mas como em toda regra
sempre há uma exceção,
ele pode algo , sim.
votar na eleição.
Se querem mesmo saber
como escapei da prisão,
 a verdade eu não conto,
não é de ética, não,
mas foi depois de transar
com um soldado e um capitão.
O doutor que me perdoe
a minha aflição,
lá em casa não tem água,
energia nem ladrão,
tem uma mulher de pulso forte
que t em peito e que tem porte
pra lutar até a morte
pelo futuro do patrão .


                                                              Zeno   Baronni..

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