domingo, 21 de agosto de 2011

SÃO JOÃO

     Que saudade do São João de antigamente! Já não se faz mais festas juninas como há trinta anos atrás. Lembra como era? Todos sabemos que o forró é uma dança típica, popular que faz parte do folclore nordestino . A palavra forró veio do inglês (  for all  ) , que quer dizer :  para todos. Seu rítimo acelerado, alegre e contagiante casou muito bem com a espontaneidade e o espírito festivo dos camponeses daquela região, tornando-se, assim, sua principal festa. Todos os anos , durante o mês de Junho ( daí o nome festas juninas ) ,  o Nordeste entra em clima de festejos e celebra com toda pompa a que tem direito, o mês do seu santo preferido : São João . As cidades do interior e as fazendas viram um só palco de intensa alegria, ornamentado pelas fogueiras que iluminam os terreiros e os balões que enfeitam os céus. Camponeses e camponesas se vestem a caráter, com roupas alegres ( as mulheres geralmente usam trajes coloridos, mas sem exageros ) e durante toda a noite se entregam ao rítimo frenético do forró. Todos têm um só objetivo : se divertir . Aí entram as quadrilhas, muito bem marcadas e dançadas no  capricho. Outros rítimos, igualmente populares, entram em cena como: xote, baião, coco, dança de roda, siriri etc. Embora o forró seja a estrela da festa, todos esses rítimos se misturam, fazendo da noite do sertão um expressivo  cenário de euforia e cultura popular. Nesse dia de confraternização, o sertanejo esquece suas desventuras, a seca que com frequência  assola a região, sua árdua luta pela sobrevivência e se entrega de corpo e alma a esse momento mágico. Esse é, também, um momento de agradecimento e devoção. Mas hoje o forró não é mais uma dança exclusiva do Nordeste. Ele já se difundiu por quase todo o país e tem sido bem aceito nas diversas regiões e grandes centros urbanos. Tivemos nas figuras dos saudosos Luiz Gonzaga, Mrinês e Trio Nordestino, os principais responsáveis por essa difusão. Porém, se por uma lado nos alegramos com a nacionalização do mesmo, por outro nos entristecemos com sua descaracterização gradativa. Vemos não com alegria que estão confundindo São João com carnaval e essa deixou de ser uma festa comemorativa para se tornar uma competição, onde cada cidade quer mostrar que é melhor, que faz mais bonito. As quadrilhas a cada ano estão parecendo mais com escolas de samba, cheias de componentes que mais parecem carros alegóricos. O exagero nas fantasias e maquilagem é evidente. O próprio forró virou uma mistura de balé com não sei o quê. Essa dança nunca teve coreografia. Forró é forró e pronto. Mas agora, se as mulheres não botarem suas bundas pra cima pra mostrar o fundo, não tem graça. As inúmeras bandas nordestinas estão aí , fazendo sucesso e incentivando essa mudança. É triste ver como sertanejo não valoriza e não preserva sua cultura e suas tradições. Só dá importância àquilo que vem de fora e facilmente se deixa influenciar por isso. Os europeus e outros povos que vêm para o Brasil, fazem questão de manter suas tradições e se orgulham disso. Uma prova são as várias colônias que existem por todo o país. No entanto, São Paulo é a maior cidade nordestina que temos e não há uma só colônia que represente nossa gente. O próprio Centro de Tradições Nordestinas é coisa pra turista ver. Tudo lá é tão caro que a maioria de nós não tem condições de frequentá-lo. Pior, muita gente até se envergonha de dizer que é de lá. Nossa maior pobreza é essa, a ignorância. Antes não nos deixavam ver a grandeza que tínhamos. Hoje, não queremos enxergar, pois é mais cômodo imitar os outros.  Por isso somos facilmente manipulados. Se não mudarmos nossa maneira de pensar e agir, vamos continuar assim por muitos anos mais.


                                                                                                       Zeno  B.  Baronni.

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