domingo, 14 de agosto de 2011

ELE NÃO TINHA TEMPO

     Um comerciante muito rico  tinha dois amores em sua vida. Um era sua única filha de 15 anos. O outro, era seu comércio. Nada mais tinha importância para ele. Vivia em função desses dois amores. À sua filha dava tudo que ela queria. Por mais absurdo que parecesse seu desejo, ele satisfazia. Inconscientemente, ele procurava compensar sua ausência e sua falta de carinho, com dinheiro. Por isso mesmo ela tornara-se uma moça triste, pois sentia muita falta desse carinho de pai, de atenção. Preferia que ele lhe desse menos presentes e mais amor. Às vezes preferia ser pobre, pois de nada adiantava ter tudo em termos materiais e não ter o principal , que era o amor dele. Ele nunca tinha tempo para ela, só pensava nos negócios. Não confiava em ninguém e controlava cada centavo da empresa. Quando ela reclamava, ele dizia que estava cuidando do futuro dela e que o olho do dono é que engorda o gado. Estava sempre correndo, de domingo a domingo. Nem sequer tinha tempo para fazer uma única refeição em família. Todos os dias chegava tarde em casa e saía cedo. Nunca participou de um só momento da vida dela como pai. Por isso ela já começava a odiar o dinheiro e quanto mais ele a cobria de jóias e outras coisas , mais ela se entristecia. Quanto à sua mãe, já havia se acostumado e não reclamava mais. Assim, a jovem ia vivendo dividida entre o amor que sentia pele pai e o ódio que sentia pelo dinheiro. Porém, para não desgostá-lo, fingia ficar contente com os presentes.  Na festa de quinze anos dela, uma festa grandiosa por sinal, ele não pôde chegar a tempo para dançar a valsa com ela, pois tinha uma reunião de negócios , muito importante. Mandou que um primo o representasse. Para ela foi a gota d'agua. Quando soube, ficou desesperada. Nunca o perdoaria por tamanha falta de consideração. Sob os protestos de sua mãe que lhe implorava para que se acalmasse, ela saiu às pressas da festa. Não esperou sequer pelo motorista da família. Ela mesma pegou o carro e saiu em alta velocidade. Sua mãe pediu para que o motorista pegasse outro carro e fosse atrás dela, o que ele obedeceu de imediato. Enquanto isso ela mesma tentava localizar o marido para que ele viesse o mais rápido possível. A resposta dele foi : a reunião está terminando. Já chego aí.
Porém, em sua revolta e sem experiência no volante, a moça acabou sofrendo um grave acidente e foi levada às pressas para o hospital mais próximo. Quando seu pai chegou ela já estava morta. Ele não teve tempo de se despedir da filha. Sua vida também acabou ali, pois a partir daquele dia ele passou a viver de lembranças e do remorso. Seus negócios foram decaindo e ele acabou falindo. Um dia, já com sintomas claro de loucura, acabou se matando. 


                                                                                                     Zeno   Baronni.


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