sábado, 23 de julho de 2011

O GRILO E A CIGARRA

     O grilo estava tranquilo no tronco de uma árvore, cantando. Seu canto era até meio irritante, mas era seu canto e ele estava em seu habitat, portanto, podia cantar à vontade , se dando ao luxo de não querer ser incomodado. Porém, eis que surge uma cigarra muito dona de si , aproxima-se dele e fala, irritada : sr. grilo, quer fazer o favor de ir cantar em outro lugar? Não percebe que seu canto não interessa a ninguém? Que ele aborrece a todos que o escutam? A bicharada prefere escutar o meu cantar porque, além de agradável, é sonoro, potente e pode ser ouvido a quilômetros de distância. Eu canto tão bem que até o sol brilha mais forte quando me escuta. Recolha-se à sua insignificância, por favor!
Triste, humilhado e sentindo-se diminuído, o grilo calou-se, mas permaneceu onde estava. Afinal, a floresta era para todos. A cigarra, então, começou a canta e ele a escutar. Realmente, ela era dona de uma garganta poderosa. Ela foi se empolgando e aumentando gradativamente seu volume até encher toda a floresta com seu cantar. Claro que isso não agradou a todos e logo começaram as reclamações. Além de estridente, ela adivinhava e chamava o sol. Mas não demorou muito e, para alívio de alguns, principalmente do grilo, ela estourou pelas costas. Chegava, assim, ao fim o curto reinado da cigarra.
Nem sempre a gente é o que diz e pensa ser. O que é bom aparece de forma natural e progressiva. Quem se auto-promove dificilmente aparece e quando aparece, é por pouco tempo. Nossos verdadeiros juízes são as pessoas que nos observam, escutam e avaliam nossas atitudes e nosso trabalho.  A prepotência tira o brilho da jóia falsa.


                                                                                             Zeno  B.  Baronni.

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